Johann Sebastien Bach na África – o multiculturalismo de Lambarena – Bach to Africa (An Hommage to Albert Schweitzer)


Homenagem da África para Dr. Albert Schweitzer
Sebastien Bach com coral de vozes e atabaques da África


Este disco foi feito em homenagem ao médico, teólogo, filósofo e ativista pela paz, Albert Schweitzer que, no início do século XX , foi para o Gabão e lá fundou um leprosário, onde atendia aos doentes. Chamou-o de Lambarena. Curiosamente, este médico era um famoso organista da Europa, mas decidiu deixar sua carreira para dedicar-se a seu hospital. Para ele, o respeito à vida era o mais alto princípio e em sua existência deixou marcas evidentes dessa convicção.

Pier Akendengue e Hughes de Courson foram os encarregados de fundir estas duas realidades em Lambarena: África e Europa. Akendengue pesquisou entre os grupos musicais do Gabão, para encontrar 10 agrupamentos que melhor poderiam participar do projeto. Em seguida foram 100 dias em Paris, com músicos da qualidade do brasileiro Naná Vasconcelos e outros, para finalmente criar esta pequena joia. O caráter multicultural desta obra é fascinante. Unir Jonhann Sebastien Bach e os grupos tradicionais africanos foi transformar sons humanos em divinos.

 

(apenas um extrato. Procure – e aproveite – o disco completo).

______________________

Albert Schweitzer: Uma Vida Exemplar

 Mário Waissmann



Outro biografo, o escritor argentino Mário Waissmann, escreve sobre Albert Schweitzer um importante livro, intitulado: Uma Vida Exemplar.

Na orelha desse livro, escreve Mário Waissmann.

"Esforça-te para realizar o verdadeiro humanismo! Se fiel a ti mesmo e, á medida que te transformes num homem pensante, introspectivo, não deixes, também, de ser, na medida de tuas forças, um homem de ação"!

Esse admirável conselho de Goethe, citado por Schweitzer em Goethe - Discurso Comemorativo, raramente se encontra cumprido de forma tão cabal como na pessoa do próprio Schweitzer.

Homem pensante e introspectivo, não se enclausurou em nenhuma "Torre de Marfim"; não aplicou, sua vida toda a divagações filosóficas e místicas, ao esquadrinhar de temas transcendentais de ética, teologia ou metafísicas.

Espírito notavelmente lúcido e equilibrado, longe de reduzir-se, apenas a filantropo ou civilizador de gabinete, não tardou a encontrar um alvo objetivo e pratico, uma linha de ação e resolução benemérita.

Um místico em ação.

Eis o tema, sobremaneira fascinante, desenvolvido nesta obra biográfica.

 

Nela se descreve o ambiente familiar, simples e sereno, em que ele veio ao mundo, e como lhe transcorreu a infância, numa pequena vila da Alsácia; focalizando certas impressões e incidentes que calaram fundo na sensibilidade do menino Albert e, pouco a pouco, lançaram-lhe na alma a semente da grande resolução que decidiu de seu destino.

Sua iniciação musical em tenra idade; as historias de missionários, narradas ou lidas por seu pai; o inicio de seus estudos na escola primária de Günsbach; a paixão pela leitura e pela música.

Depois, a juventude: contatos humanos, amizades, influencias, estudos superiores, lucubrações filosóficas e teológicas.

Afinal, a grande crise de sua vida, após, inquietação espiritual acompanhada de veementes anelos.

A decisão notabilíssima e o choque que produziu no circulo de amigos e parentes.

Começa, então, a atividade admirável do místico.

Como se iniciou, com se desenvolveu; que dificuldades e reações encontrou. A repercussão de sua iniciativa, a solidariedade, o respeito e a veneração que Schweitzer granjeou.

O estado atual de sua obra.

Aí fica, pois, um apanhado panorâmico do que é este livro, Albert Schuweitzer - Uma Vida Exemplar, de autoria de Mário Waissmann em abalizada tradução de Genésio Pereira Filho.

Do prefácio da edição Argentina assinado por F. Escardó transcrevemos pelo interesse e expressividade que possuem, as seguintes considerações sobre esta biografia: "... O sujeito é superior ao relato, porque Schweitzer sempre realiza o que dele esperamos, posto que nele o imprevisto é o natural, o heróico o cotidiano, o audacioso, o corrente; com tão superabundante prodigalidade que é exemplo renovado em si mesmo, sem comparação possível, porque tudo nele se torna profissão de fé: operar um tumor a um negro, ditar um curso sobre o apostolo Paulo ou interpretar uma cantata de Bach...".

Quanto ao autor, diz o referido prefácio: -O Doutor Mário Waissmann possuía muitos predicados para se aproximar de Schweitzer; bem provado amor à medicina, conhecimento e cultivo da música, reta nação do dever de nossa época; penso que é como parte de tal dever que empreendeu este esboço biográfico, realizado com cuidadoso afã e minuciosa devoção.

F. Escardó

O escritor argentino Mário Waissmann escreveu de Albert Schweitzer um livro chamado.

Uma Vida Exemplar

Índice

A missão de Albert Schweitzer - Pág. 7.

Prólogo da Edição Argentina - Pág. 15.

Apresentação - Pág. 19.

I - Infância, Juventude e Altos Estudos - Pág. 21.

II - Schweitzer Encontra Seu Destino - Pág. 39.

III - Um Místico Em Ação - Pág. 49.

IV - O Músico - Pág. 69.

V - Triste Interlúdio - Pág. 93.

VI - O Grande Hospital - Pág. 101

VII - Teólogo e Filósofo - Pág. 127.

Epílogo

Como não figurar na Lenda - Pág. 153.

Livros De Albert Schweitzer - Pág. 165.

Bibliografia - Pág. 169.

Índice De Ilustrações

Foto De Albert Schweitzer.

Rio Ogoval.

Albert Schweitzer em Lambarene.

Albert Schweitzer Sentado ao Órgão.

Albert Schweitzer Volta Para o Rio Ogoval.

Remédios Que Chegam Da América.

Albert Schweitzer e Sua Esposa.

Mapa Da Situação De Lambarene, No Curso Inferior Do Rio Ogoval.

Em Missão De Albert Schweitzer, Temos a Tradução De Genésio Pereira Filho.

 O nome de Albert Schweitzer vem ganhando, nos últimos tempos, projeção internacional; a imprensa de todo o mundo dele fala constantemente a televisão inglesa focaliza-o no filme "Retorno à África" e o cinema prepara uma película consagrada a sua vida...

Sua interpretação do espírito da música de Bach revolucionou o conceito critico das obras desse compositor; firma-se ele, ainda, como a maior autoridade do mundo em estrutura de órgãos, sendo, além de mais, agudo critico de Goethe.

Dele sabemos haver recebido o Prêmio Nobel da Paz em 1952, sendo também distinguido, como "Prêmio Da Paz" pela "Associação Alemã Dos Editores", no ano de 1951.

A Inglaterra, no mês de fevereiro de 1955, atribuiu-lhe a Ordem do Mérito, alta honraria.

Seus livros, traduzidos em múltiplas línguas, são lidos e meditados por gente dos quatro cantos da Terra.

Não é este livro bastante para interpretação e revelação da vida daquele que, como missionário, músico, médico nas portentosas selvas equatoriais africanas, ecologista, pois protegia a natureza também.

Ainda filósofo, teólogo, dentista, veterinário, farmacêutico, etc...

Uma obra com a extensão desta jamais poderia pintar com ênfase e sem folhas a figura de um "homem-completo".

John Gunther assim perfila a extraordinária figura de Schweitzer: Dada sua elevação e a multiplicidade de aspectos de sua personalidade, não é fácil conhecê-lo.

É um "homem-completo" como Leonardo Da Vinci e Goethe, foram completos. ("Seleções da Reader's Digest", outubro de 1954, página 101).

O homem-padrão, para Schweitzer, é o homem-goethiano: Homem de vida interior, ao mesmo tempo homem de ação, constituindo, dessa maneira, personalidade eficaz, mas discreta.

Schweitzer "professor de entusiasmo e de coragem", encarnou na vida real o "homem-goethiano", porque assim diz Goethe: "esforça-te para realizar o verdadeiro humanismo, se fiel a ti mesmo e, à medida que te transforme num homem pensante, introspectivo, não deixes, também, de ser, na medida de tuas forças, um homem de ação!".

Místico em ação! Eis o retrato de Schweitzer, exemplo para os homens de nossos dias que se sintam rebelados contra a injusta ordem social imperante, aniquiladora dos valores espirituais.

A missão deste Apostolo, realizada na África, é tão grandiosa que se tornou patrimônio universal, acima de fronteiras religiosas, geográficas ou políticas: "Contudo, o meu empreendimento em si é internacional.

Estou convencido, de que toda a tarefa humanitária em terras coloniais, compete não só aos governos, ou organizações religiosas, mas essencialmente a todos os homens".

(Seu livro "Entre a Água e a Selva", pág. 12).

Um Místico Em Ação

Cap. - III

"A dor é déspota mais terrível do que a morte".

Todos quantos conheceram a angustia e a Dor física ou moral, estão unidos no mundo inteiro por um laço misterioso.

Andam doentes os Espíritos, nesta civilização em que o progresso material, não é seguido do progresso ético.

A prova disso está em que os civilizados, que suplantaram, em grande parte, temores primitivos e fetichismos, que vão triunfando sobre a Dor, que desfrutam do conforto – não chegaram, ao reino da felicidade.

Destroem-se. Matam-se. Exterminam-se.

Em nome de que?

De novos tabus, de ambições de hipocrisia, do domínio de mercados, da vaidade...

E tão tolos e incríveis são os pretextos que o nativo sente-se estupefato ante tais catástrofes.

Sabemos que muitos se perguntam como é que os brancos, que lhes trazem o Evangelho do Amor, se massacram entre si, desdenhando os ensinamentos de Jesus Nosso Senhor.

Ficamos sem jeito, interpelado por negros que refletem.

Respondo que nos encontramos ainda na presença da falta de ética e pouca evolução espiritual.

"Considero isso, imenso dano".

("Entre a Água e a Selva", pág. 122).

Precisamos, portanto praticar um Cristianismo de Caridade e Atividade!

Analisando Goethe, Schweitzer afirma que, "tanto a grandeza, como sua poesia e seu pensamento, estão inteiramente ligados à natureza".

Sua orientação está, assim, calcada sobre princípios de uma filosofia da natureza, de cunho moral pratico.

A fuga à natureza e a suas coisas simples aniquila o homem.

"Os sistemas filosóficos especulativos, representam para ele (Goethe) uma violência contra a natureza".

("Entre a Água e a Selva", pág. 122).

Já experimentamos, em nosso próprio mundo, toda sorte de governos, de regimes políticos, sem que a paz social tenha sido obtida.

A crise em que a humanidade se afoga, todavia é cada vez maior.

O verdadeiro caminho, aquele que nos ergue aos céus, pondo-me a salvo da lama, é o Evangelho.

Estamos necessitando de uma reforma pessoal dos homens, que andam carentes de consciência ética.

Crise de Consciências, eis o mal do mundo.

Comecemos, portanto, pela reforma do próprio homem.

No dia em que tivermos debelado a crise Moral e Espiritual que domina a Humanidade nesse dia deixaremos de nos chafurdar na lama e iniciaremos a marcha rumo as Estrelas!

Genésio Pereira Filho

São Paulo, Março de 1975.

Em Apresentação, no livro "Uma Vida Exemplar", lemos:

Há quarenta anos vive em Lambarene, na África Equatorial Francesa, um alciano ilustre: Albert Schweitzer.

Sua aparência é a de um aldeão; seus gestos são firmes, sua cabeça plana-se solidamente sobre os ombros.

Grossos bigodes grisalhos invadem-lhe o centro do rosto iluminado por olhar suavemente expressivo. Aos setenta e oito anos; seu andar pressuroso e seus movimentos vivos permitem reconhecer o homem de ação.

Por que vive em Lambarene?

É acaso, um desiludido ou ermitão voluntariamente exilado?

Sua história, repleta de sucessos palpitantes e de ideais realizados é fervorosa o otimista louvor a vida integralmente lograda.

Cada uma das etapas de sua existência possui profundo sentido humano, transcendente e que se projeta até o futuro.

Albert Schweitzer, periodicamente deixando a selva virgem, passa alguns meses em Günsbach, pequena aldeia alsaciana, situada no Vale Münster, no seio dos Vosges, onde viveu feliz infância.

A simples presença desse homem em Günsbach atrai jornalistas, caçadores de autógrafos, clérigos, músicos, teólogos, médicos, filósofos e humanistas.

Sua residência, quase museu já, denominada por ele mesmo "Casa de Goethe", atribuiu a Günsbach fama e história, situando-a no mapa sensível do mundo.

Próxima a Estrasburgo, com a centenária catedral devida ao gênio de Erwin Von Stinbach e perto de Golmar.

 
A Catedral De Estrasburgo, na Alsácia.

O nome e a obra de Schweitzer permaneceram, entre nós, quase desconhecidos.

A França ignorava-os também, até há pouco tempo; durante os últimos anos porem, o ancião habitante de Lambarene foi alçado a primeiro plano e Paris cumulou-o de honrarias.

Os paises saxões e o Japão conheceram-no, admiraram-no e reverenciaram-no há dezenas de anos; nesses lugares, sua figura legendária e sua obra constituem exemplos citados em classe, desde as lições iniciais da escola primária até os altos estudos dos seminários.

Em qualquer cidade do mundo que visite, é recebido pelos mais significativos valores humanos.

Que influxo mágico conduz pessoas de atividades tão diversas a acolhê-lo e cumprimentá-lo, a tratá-lo como ser excepcional?

Conhecer a historia de Schweitzer, significa incluir-se entre os milhões de homens e mulheres e ainda crianças que o amam.

Segui-lo através de ideais e trabalhos possui o atrativo mágico das novelas legendárias.

Albert Schweitzer, é Apostolo hodierno, Um Místico Em Ação.

Podemos afirmar com Stefan Zwei:

"Eis aqui personagem para uma biografia heróica".

Capitulo Terceiro Do Livro

Uma Vida Exemplar

Um Místico Em Ação

"A dor é déspota mais terrível do que a morte"

Da plataforma do último vagão do trem, numa aprazível tarde de Páscoa, Schweitzer e a esposa despediram-se dos familiares e amigos.

Era momento de grande emoção para este casal. Partiam para cumprir um mandato de amor.

De Paris, embarcaram para Bordéus e a 28 de março de 1913, rumo ao Gabão.

Iam conhecer a África, em plena selva virgem.

Seus corações estavam temperados por imensa fé e nas possibilidades de sua obra.

Aprenderam durante a viagem, muitos detalhes relativos ao clima e as condições gerais da vida no Equador.

Souberam que o maior inimigo dos brancos na África era o sol do entardecer. Não deveriam retirar o capacete protetor.

Desceram em Dacar, como os demais passageiros pisando pela primeira vez na terra africana, esse continente que mais tarde o subjugou e o atraiu, intervindo de modo profundo em sua vida.

Dois aborígines, sentados sobre uma carroça por demais carregada, castigavam desumanamente o animal que a puxava o veiculo, apesar do grande esforço da besta, não conseguia subir uma rampa íngreme. Schweitzer obrigou-os a descer do veiculo e empurrou a pesada carruagem, gesto imitado pelos nativos entre admiradores e desapontados.

Embarcaram, depois da chegada a Porto Gentil, no vapor fluvial que através do Rio Ogoval os levaria a Lambarene por dois dias e duas noites.

 
Panorama Do Rio Ogoval,Visto Do Hospital De Lambarene.

Schweitzer assim descreve a alucinante paisagem "Água e floresta virgem!...".

Como transmitir estas impressões?

Acreditávamos sonhar.

Paisagens, antediluiranos da imaginação, constituem aqui a realidade.

Não se consegue distinguir onde cessa a água e aonde começa a terra.

Enorme enredo de raízes recobertas de lianas avança sobre o rio.

Grandes e pequenas palmeiras, perdidas no bosque frondoso entre ramos verdes e folhas imensas.

Em cada clareira refletem-se cascatas; a cada volta surgem novos braços do rio.

Uma garça voa pesadamente.

Pequenos pássaros brancos revoluteiam sobre a água.

Muito alto, uma águia caçadora descreve círculos.

Algo se move em uma palmeira, com certeza macacos...E, eis aqui seus donos.

Decididamente, estamos na África.

A viagem prosseguiu; os esposos Schweitzer, com os olhos bem abertos, não tinham tempo para evocações nem nostalgias. Tudo era novo e de extraordinário interesse.

O pequeno barco, á tarde, fez escala numa aldeia, para carregar lenha.

Schweitzer viu medo nos olhos dos nativos. Medo! Medo dos tabus, medo das enfermidades, medo da dor!...

Passou os esposos sua primeira noite africana, dispostos a trabalhar.

Era mister pagar, ainda que em mínima parte, a divida dos orgulhosos brancos, cuja cobiça tanto dano causou á África.

Na manhã seguinte, era o dia da chegada.

Viriam, afinal, Lambarene, esse recanto apartado do mundo civilizado.

Schweitzer relata com simplicidade; a chegada: "As sublimes impressões sugeridas pela natureza selvagem e grandiosa estão confundidas com sofrimento e angustia.

Estende-se sobre mim, com o crepúsculo da primeira tarde passada no Ogoval, as sombras da miséria africana.

Tenho mais do que nunca a convicção de que este país necessita de homens que venham, sem demora, em sua ajuda".


Albert Schweitzer à Beira De Um Paciente Indigena.

Percebe-se ao longe, ao cabo de cinco horas de viagem, as colinas de Lambarene.

A sereia do barco começa a soar, embora somente cheguemos ao cabo de meia hora. É que os habitantes das feitarias, distanciadas umas das outras, precisam ser prevenidos a tempo, para que possam dirigir-se, em suas piragas, ao desembarcadouro e receber as mercadorias que lhes são destinadas.

Chegaram a Lambarene em tranqüilo entardecer; numa piroga bastante frágil. Foram transportados para terra firme pelos hábeis nativos, que cantavam alegremente.

Foram cordialmente acolhidos em terra, pelos membros da Missão Protestante que lhes destinara pequena barroca para residência.

Os sinos da capelinha convidavam a prece e, logo, o coral infantil se fazia ouvir ao mesmo tempo em que o insistente canto dos grilos.

Schweitzer, sentado sobre um caixote, escutava comovido esta música afro-européia.

Parados diante do casebre que lhes serviria, por ora, de lar, os esposos percorreram as cercanias com os olhos.

Ao lado de três brancas colinas de linhas suaves e entre elas o Ogoval; misteriosa, ameaçadora, espessa e terrível a selva virgem.

Ao anoitecer, contudo, o silêncio, apenas interrompido pelo grito de algum animal desconhecido ou pelo canto dos grilos.

Antes de se deitarem, tiveram de haver-se naquela casa longo tempo desocupada com aranhas que deslizavam pelas paredes; o zumbido dos insetos que cortavam o ambiente, de um extremo a outro do quarto.

Pensamentos lhes assaltaram os cérebros.

Gündsbach, a ordem da casa, lençóis limpos, ar perfumado pelas flores do jardim, amigos, concertos, êxitos, renome. Aqui... Um novo mundo.

Confinados na fé autentica, conseguiram, afinal, conciliar o sono.


Albert Schweitzer Trabalhando à Escrivaninha Em Lambarene.

Os missionários da Missão Protestante, tinham resolvido que o doutor não atenderia a doentes durante as duas primeiras semanas, a fim de refazer-se da longa viagem.

Essas decisões não foram levadas em conta.

Não havendo abrigo em que atuar os primeiros socorros, esses se realizaram ao ar livre.

Foi, então que Schweitzer conheceu os ardentes raios do sol, os freqüentes e imprevistos aguaceiros.

A noticia da chegada do "Grande Doutor" branco difundiu-se de aldeia em aldeia e os enfermos começaram a chegar.

Schweitzer contratou um interprete chamado José e juntamente com sua esposa que era enfermeira dedicada trabalhavam intensamente.

Para a tarefa de assistência aos doentes, adaptou-se um velho galinheiro da Missão, cujas paredes Schweitzer caiou. Algumas estantes de madeira rústicas à maneira de maca constituíram por algum tempo toda a mobília da sala de consulta do médico de Lambarene.

A primeira intervenção cirúrgica teve de ser levada a efeito na pequena escola da Missão. Tratava-se de hérnia estrangulada. Sua esposa serviu de anestesista e José de ajudante.

É mister compreender com que ansiedade terá esgrimido pela primeira vez, o bisturi, sozinho, sem colaboração técnica alguma, amparado unicamente por seu saber, sua coragem e pela emocionada colaboração da esposa.

 
Albert Schweitzer e Dona Helena, Sua Esposa, Tomando Pequeno Almoço
Numa Barra Do Rio Ogoval, Por Ocasião De Uma Viagem.

O grande médico arquitetou planos para construir um pavilhão e uma sala de operações.

à medida que se renome se difundia, os enfermos afluíam cada vez mais, através do rio, em pirogas, porque não havia caminhos na selva.

Schweitzer rumou então, em canoa até Samkita, um centro da Missão distante 55 kilometros, a fim de expor a situação. Um dia durou a excurssão.

As tsé-tsés (moscas) surgiram desde a saída do sol. Voam apenas de dia.

Esta mosca pica mesmo os tecidos mais espessos. è tão prudente quanto astuta. Não assenta sobre fundos claros, em que seria facilmente descoberta.

A melhor proteção, pois, é usar roupas brancas.

A conferencia em Samkita durou uma semana e Schweitzer obteve não somente a permissão para edificar o hospital, como ainda recebeu 4.000 francos de ajuda.

Entregou-se arduamente ao trabalho.

Lutou com a preguiça dos aborígines

Necessitavam de dinheiro apenas para álcool, ou tabaco ou ainda para comprar uma esposa.

Schweitzer foi organizando o trabalho.

Construiu uma barraca para clinica e cirurgia, abrigos para os enfermos internados feitos com bambu, à maneira indígena, e cobertos com folhas de ráfia.

Lutou com tenacidade contra superstição e os tabus, costumes arraigados dos indígenas; fê-lo, todavia, com inteligência obedecendo, apenas a elementares regras de higiene, que procurou inculcar sem impor.

A tarefa tornava-se cada dia mais exaustiva, mas suas energias não se esgotavam, estimulado pela eficácia de sua missão. Assistia, diariamente, quarenta ou mais doentes.

Os remédios operavam curas.

Observava que o quinina e o arsênico melhoravam os palúdicos; que as ulceras ficavam limpas com novarsenabesol; que a emitina era eficaz contra disenteria.

Construiu novos abrigos para isolar estes pacientes e leprosos.

A colaboração da esposa revestia-se de característicos emocionantes.

Quanto aos empregados, mesmo os melhores são necessários não expô-los á mínima tentação. Nunca pode deixá-los sozinhos na casa ou no hospital.

Tudo quanto possa incitar-lhes a cobiça deve ficar trancado.

É necessário manter tudo debaixo de chave.

Havia todos os dias, problemas urgentes exigindo solução imediata.


O hospital recebia, com frequência, nativos feridos por animais da selva: hipopótamos, elefantes, panteras e gorilas. Além de muitas doenças, a tuberculose, que tem especial predileção pela raça negra, vai alastrando-se pelo Gabão.

Schweitzer mantinha demoradas conversas com os nativos.

Mas o clima era terrível, e o calor piorava durante a noite.

Por causa da umidade, na selva virgem equatorial africana não há incêndios.

Os nativos não entendiam que na Europa se praticasse remo por prazer.

Não conseguiam imaginar, como os jovens europeus contraiam matrimônio sem comprar a esposa.

 
Albert_3Desembarque De Instrumentos e Remédios Que Chegaram Da América a Lambarene.

Enquanto isso Schweitzer intensificava sua atuação. Era carpinteiro, ferreiro, cirurgião, clinico, farmacêutico " ele mesmo preparava os remédios - oculista e dentista.

Isso sem falar em plantações de bananas e mangas, mandioca e milho para a alimentação dos doentes.

A despensa esvaziava-se e era preciso operar milagres para conseguir provisões.

As drogas chegavam ao fim, não raras vezes, teve de recorrer a substitutos inusitados. Preparava, por exemplo, uma pomada para sarna, á base de flor de enxofre e azeite de palma. Utilizava azeite das latas de sardinha para completar a medicina.

Os casos urgentes tornavam-se cada vez mais comuns.

Tinha que estar preparado, a qualquer hora do dia ou da noite.

A tarefa era grande, mas havia a satisfação de poder ajudar!

Schweitzer recebia todo mês, vários sacos de correspondência de amigos, familiares e admiradores.

A Sociedade Johann Sebastian Bach, enviou-lhe como oferenda formosa piano de pedais, especialmente construído para o clima tropical.

Noite avançada, logo após a ultima visita "aos graves", sentava-se ao piano e fazia vibrar na selva virgem a musica de seu querido Bach.

É preciso compreender que espécie de companheiro havia de ser para Schweitzer aquele piano, depois de tal trabalho humanitário, e como deve ter aproximado de Deus esse crente audaz, que parecia iluminado.

Mas este Místico em Ação, ainda estudava os Evangelhos, escrevendo sobre a vida de Jesus e seus seguidores. Há um trabalho sobre o apostolo Paulo de muita beleza e sabedoria escrito por ele.

Não esquecendo também do mundo restante, pois seus livros já penetraram todos os limites da terra.

O "grande doutor" sentia-se amadurecer em toda a magnífica gama de suas múltiplas facetas e começava já a plasmar-se-lhe no espírito a futura obra filosófica.

O médico sabia com certeza, que esse era seu verdadeiro posto e cada vez compreendia menos os europeus que se desinteressavam destes milhões de seres humanos desamparados e deixados à margem pela civilização.

Mas sabia que teria de voltar na Europa, aos concertos destinados a conseguir fundos para seu hospital de Lambarene.


E Sempre Albert Schweitzer Volta Para o Rio Ogoval.

Schweitzer, durante a noite, dedicava-se ao piano e a escrever. Sabia que deveria voltar na Europa. Se seu físico estava cansado até o esgotamento, seu espírito se reconfortara porque compreendia que sua obra estava definitivamente esteada.

 
Albert_2Culto Religioso No Hospital De Lambarene. Os Enfermeiros De Cor Servem De Interpretes.

As mesmas mãos que manejavam a machado e a machete; as mesmas mãos que faziam trabalhos de carpintaria; as mesmas mãos apalpavam um enfermo; as mesmas mãos que calçavam as luvas para praticar uma intervenção cirúrgica eram aquelas que enchiam a selva virgem com os prelúdios e fugas de Bach e também aquelas mesmas que escreviam durante longas horas, na noite africana, uma filosofia otimista sobre a Ética Do Respeito à Vida! 

_______________________

Lambarena - Bach Goes para Africa







 Uma homenagem a Albert Schweitzer























" Reverência pela Vida oferece-me o meu princípio fundamental da moralidade, ou seja, que o bem consiste em manter, ajudando e melhorando a vida, e para destruir, para prejudicar ou dificultar a vida é do mal. " 
Albert Schweitzer


 Albert Schweitzer (14 de janeiro de 1875, 04 de setembro de 1965) nasceu em uma família da Alsácia para as gerações que tinha se dedicado à religião, educação musical, Seu pai e seu avô materno foram ministros; os seus dois avôs eram organistas talentosos, muitos de seus parentes eram pessoas de realizações acadêmicas.

 Schweitzer entraram em sua intensivos estudos teológicos em 1893 na Universidade de Estrasburgo, onde ele obteve um doutorado em filosofia em 1899, com uma dissertação sobre a filosofia religiosa de Kant, e recebeu sua licenciatura em Teologia em 1900.  Ele começou a pregar na Igreja de São Nicolau, em Estrasburgo, em 1899, ele ocupou vários altos cargos administrativos 1901-1912 na Faculdade Teológica de St.Thomas, a faculdade, ele tinha participado da Universidade de Estrasburgo.  Em 1906 ele publicou A Busca do Jesus Histórico, um livro em que muito de sua fama como um estudioso teológica descansa.

 Enquanto isso, ele continuou com uma carreira musical iniciada em tenra idade com aulas de piano e órgão.  Apenas nove anos quando pela primeira vez realizada na igreja de seu pai, ele foi, a partir de sua masculinidade jovem para seus oitenta anos meio, reconhecido como um organista, conhecido internacionalmente.  De seus compromissos profissionais, ele ganhou fundos para a sua educação, particularmente sua posterior graduação médica, e para o seu hospital Africano.  Musicólogo, bem como performer, Schweitzer escreveu uma biografia de Bach, em 1905, em francês, publicou um livro sobre a construção de órgãos e jogando em 1906, e reescreveu o livro Bach em alemão em 1908.

 Após ter decidido ir para a África como missionário médico ao invés de como um pastor, Schweitzer, em 1905 começou a estudar medicina na Universidade de Estrasburgo.  Em 1913, tendo obtido seu diploma de médico, ele fundou seu hospital em Lambaréné na África Equatorial Francesa, mas em 1917 ele e sua esposa foram enviados para um campo de internamento franceses como prisioneiros de guerra.  Lançado em 1918, Schweitzer passou os próximos seis anos na Europa, pregando em sua igreja velha, dando palestras e concertos, tendo cursos de medicina, escrever On the Edge da floresta primitiva, a decadência e restauração da Civilização Civilização, e Ética e Cristianismo e as Religiões do Mundo.

 Schweitzer retornou a Lambaréné em 1924 e, exceto por períodos de tempo relativamente curto, passou o resto de sua vida lá.  Com os fundos obtidos com os royalties e taxas própria aparência pessoal e com aqueles doados por todas as partes do mundo, ele expandiu o hospital para edifícios seventy que no início dos anos 1960, poderia cuidar de mais de 500 pacientes na residência de uma só vez.

 Em Lambaréné, Schweitzer era o médico e cirurgião no hospital, pastor de uma congregação, administrador de uma aldeia, superintendente de edifícios e terrenos, escritor de livros acadêmicos, comentarista da história contemporânea, host músico, para inúmeros visitantes. As honras que recebeu foram numerosos, incluindo o Prémio Goethe de Frankfurt e doutoramentos honoris causa de várias universidades, enfatizando uma ou outra de suas conquistas.  O Prêmio Nobel da Paz de 1952, tendo sido retido no mesmo ano, foi-lhe dada em 10 de dezembro de 1953. Com o dinheiro do prêmio $ 33.000, ele começou o leprosário em Lambaréné.

 Albert Schweitzer faleceu em 04 de setembro de 1965, e foi sepultado em Lambaréné.


Lambarena - Bach Goes to Africa Lambarena - Bach Goes to Africa

1 Excerpt from Cantata BWV 147 No.10-Voice 0:13 1 Trecho da Cantata BWV 147 Voice-No.10 00:13
2 Sankanda+"Lasset Uns Den Nicht Zerteilen"-Voice 5:07 2 Sankanda + "lasset Uns Nicht Den Zerteilen" Voz 05:07
3 Mayingo+Fugue on Mayingo-Instrumental 2:12 3 Mayingo + Fuga sobre Mayingo-Instrumental 2:12
4 Herr, Unser Herrscher from St. John Passion, BWV 245 No.1-Instrumental 4:39 4 Herr, Unser Herrscher de St. John Passion, BWV 245 4:39 No.1-Instrumental
5 Mabo Maboe+Gigue from Suite for Cello No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010-I 3:38 5 Mabo Maboe + Gigue da Suite para Violoncelo N º 4 em Mi bemol Maior, BWV 1010-I 3:38
6 Bombé+"Ruht Wohl, Ruht Wohl, Ihr Heiligen Gebeine" from St. John Passio 3:48 6 Bombe + "Ruht Wohl, Ruht Wohl, Ihr Heiligen Gebeine" de St. John Passio 03:48
7 Pepa Nzac Gnon Ma+Prelude from Partita for Violin No.3, BWV 1006-Instru 4:23 7 Pepa Nzac Gnon Ma + Prelúdio da Partita para Violino N º 3, BWV 1006-Instrumento 04:23
8 Mamoudo Na Sakka Baya Boudouma Ngombi+Prelude No.14, BWV 883-Voice 4:28 8 Mamoudo Na Sakka Baya Boudouma Ngombi + Prelúdio No.14, BWV 883 Voice-04:28
9 Agnus Dei from B Minor Mass, BWV 232-Voice 5:06 9 Agnus Dei da Missa B Menor, BWV 232-Voz 05:06
10 Ikokou-Instrumental 2:11 10 Ikokou-Instrumental 2:11
11 Inongo+Three-Part Invention No. 3 in D Major, BWV 789-Voice 5:40 11 Inongo + Três Part-Invention No. 3 em D Maior, BWV 789-Voice 05:40
12 Okoukoué+Cantata BWV 147 No. 10 (Excerpt)-Instrumental 1:54 12 Okoukoué + Cantata BWV 147 n º 10 (Trecho)-Instrumental 1:54
13 Ihr Lieblichste Blicke, Ihr Freudige Stunden from Cantata BWV 208 No.15 3:03 13 Ihr Lieblichste Blicke, Ihr Freudige Stunden da Cantata BWV 208 No.15 03:03
14 Excerpts from "Mousse Biabatou"+"Jesus Bleibet Meine Freude" from Canta 2:14 14 Excertos de "Mousse Biabatou" + "Jesus Bleibet Meine Freude" de Canta 2:14


 O ímpeto por trás deste álbum, desenvolvido por Mariella Berthéas, foi a criação de um tributo a Albert Schweitzer, reunindo as duas tradições musicais que foram fundamentais para sua vida: as obras de JS Bach e as músicas do Gabão, onde ele dedicou sua vida a serviço como um missionário médico na cidade de Lambaréné.  Para chamar este álbum um crossover, porém, seria deturpá-la, isso não é inteligente síntese de duas tradições diferentes.  É difícil caracterizar a relação entre as duas culturas musicais.  Dizer que as músicas são "coordenados" misses a espontaneidade surpreendente do justaposições, mas dizer que eles são "jogados juntos" sugere uma aleatoriedade que subestima a habilidade e a arte dos arranjadores, Hughes de Courson e Pierre Akendengué. A música de Bach e as tradições musicais do Gabão coexistir sem abrir mão de sua própria integridade, e interagir com diferentes graus de conexão óbvia.  O CD conta com músicos de formação clássica europeia, 10 conjuntos do Gabão, e vários músicos argentinos, que trabalharam juntos nos meses de estúdio de muitos para criar o álbum.  As faixas de maior sucesso misteriosamente capturar o impulso subjacente musical comum às duas tradições, eo resultado abre novos significados e sons naturais e orgânicos.  Por exemplo, é surpreendente, na pista 2, como lindamente uma canção tradicional do Gabão se encaixa e sobreposições com "lasset Zerteilen uns nicht den", da Paixão de São João, e como eles se complementam na sua afirmação exuberante da vida. Na faixa 6, a realização simultânea de um ritual que inclui um padrão de palmas e vocalizações vaias e um coro da Paixão de São João é de tirar o fôlego.  Nem todos os esforços são igualmente bem-sucedidas; o canto no final do Agnus Dei da Missa B menores simplesmente sons embutido.  Mas quando a mistura funciona, como geralmente acontece, o efeito é reveladora, transformadora. O som é extremamente limpa e bem diferenciados, com destaque para a estranheza maravilhosa da mistura de tradições. Fonte




 "Lambarena, Bach para a África" ​​foi a idéia de Berthéas Mariella e da fundação "L'espace Afrique", organizado para fazer esta gravação possível. Unindo os dois elementos integrantes que fromaram "mundo sonoro" Scwhweitzer - a música de Bach e as melodias indígenas e os ritmos de sua adotada pátria Gabão - Lambarena é o trabalho de dois músicos excepcionalmente talentosos: Hugnes de Courson, o compositor francês e produtor que criaram juntos a estrutura clássica de Lambarena, e Pierre Akendengué, autor, filósofo e guitarrista do Gabão com mais de 12 gravações para o se crédito.
 De Courson e Akendengué começou a trabalhar em Lambarena ligando as harmonias tradicionais de Bach a vários Gabão harmonias étnicas (há pelo menos 42 etnias diferentes em um país de um milhão de habitantes), criando um tecido fascinante de som tecida de vozes entoam Gabão e as melodias clássicas de Bach, permeou todo pelos ritmos subjacentes da floresta Africana. Após meses de preparação, os 10 grupos musicais do Gabão escolhido por Pierre Akendengué para participar Lambarena viajou para Paris para se juntar com a Western músicos clássicos, bem como o tango argentino e músicos de jazz Osvaldo Calo e Tomas Gubitsch, e percussionistas Sami Ateba e Nana Vasconcelos para quase 100 dias no estúdio de gravação. Leia mais ... 
A comunicação entre mundos estrangeiros, 
Por: Gerard D. Launay (Berkeley, Galifornia)

 Amazon Compra Verificada ( O que é isso? )
 Esta revisão é de: Lambarena: Bach para África 
Uma Homenagem a Albert Schweitzer (Audio CD)
Eletrizante ... primeiro deixe-me dizer que este está entre os top 10 do CD na minha  coleção inteira da música.  Deixe-me explicar o que essa música é.  Não é um grupo de cantores e músicos Africano Bach.  Não, ao contrário, é a resposta dos músicos Africano ouvir a música de Bach e conversando de volta em sua própria língua natal.  Primeiro ouvimos melodias de Bach - manso e civilizado - jogado sobre os instrumentos tradicionais, talvez órgão ou piano ou violino.  Ao ouvir Bach, os africanos se juntar e responder com seus próprios primas, primevo, música centrada na terra. Pense em um pássaro que muda a sua música e ritmo, em resposta a uma melodia de flauta clássica e você começa a idéia.  Um deleite para não ser desperdiçada. 

Clique no link abaixo e se deleite.
http://youtu.be/Gt0pS0qh4-U
________________

Dr.  Albert Schweitzer um homem que viveu para o 
seu ideal:

Fazer o bem!


Figura: Uma Visita A Albert Schweitzer - Revista Seleções - Outubro de 1954



A Aldeia de Lambaréné fica no Rio Ogowe, 64 quilômetros ao sul do Equador, na África Equatorial Francesa. A região lembra o princípio do mundo: nuvens, rios e florestas se fundem numa paisagem que parece literalmente antediluviana.

Como o próprio Schweitzer a descreveu, na maior parte do ano, o ar é como vapor que se desprende de um nevoeiro verde.
Tal o cenário de uma das mais famosas iniciativas missionárias do mundo  -  o hospital do Dr. Albert Schweitzer na floresta.

Schweitzer é, incontestavelmente, um grande homem, um dos maiores da nossa época ou de qualquer época.


Dada sua elevação e a multiplicidade de aspectos de sua personalidade, não é fácil conhecê-lo. É um "homem completo", como Leonardo da Vinci e Goethe foram homens completos.


Seguiu quatro carreiras diferentes - Filosofia, Medicina, Teologia e Música. Escreveu livros eruditos sobre Bach, Jesus e a história da civilização. É a maior autoridade do mundo em estrutura de órgãos, sendo, ao mesmo tempo, um dos mais famosos organistas vivos. O Dr. Schweitzer conhece também, mais a fundo do que muitos homens que dedicaram a vida a essas questões, Estética, Zoologia Tropical, Antropologia e Agricultura, e é perito carpinteiro, pedreiro, veterinário, construtor de barcos, dentista, desenhista, mecânico, farmacêutico e jardineiro. Com efeito, é um homem completo!


Para tornar compreensível a carreira de Schweitzer em Lambaréné, precisamos retroceder às origens. Nascido na Alsácia, em 1875, Alberto Schweitzer foi uma criança doentia, em contraste com a fenomenal robustez que adquiriu depois. Além disso, mais estranho ainda, custou para aprender a ler e escrever e foi um estudante medíocre. Por isso é que, depois de crescido, se impôs dominar assuntos que lhe fossem particularmente difíceis, como o hebraico.


Em música, foi um autêntico prodígio. Compôs um hino aos sete anos, começou a tocar órgão aos oito, quando suas pernas mal alcançavam os pedais e, aos nove anos, serviu de substituto do organista efetivo numa cerimônia religiosa.


Logo que se fez homem, começou a exercer paralelamente três das suas quatro vidas profissionais. Estudou Filosofia na Universidade de Estrasburgo e conquistou o primeiro doutorado com uma tese sobre Kant. Estudou Teologia e, em 1900, aos 25 anos, tornou-se pároco da Igreja de São Nicolau, em Estrasburgo.


Estudou a teoria da música e começou sua carreira como concertista de órgão. Aos 26 anos, tinha diplomas de Doutor em Filosofia, Teologia e Música. Enquanto isso, começou a escrever uma série de livros, que nunca cessou.


Depois, com 30 anos, largou abruptamente suas três carreiras, para estudar Medicina e partir para Lambaréné para o resto da vida como missionário-médico.

Por que Medicina? Ele mesmo explica: porque estava cansado de palavras e queria ação. E por que Lambaréné? Porque era um dos lugares mais inacessíveis e primitivos de toda a África, um dos mais perigosos e porque lá não havia médico.


Parentes e amigos procuraram dissuadi-lo, mas ele respondia que se sentia obrigado a "dar alguma coisa, em troca da felicidade de que gozava". Estava obedecendo literalmente à palavra de Jesus: "Qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim... esse a salvará". E como pregava sempre que "os idealistas deviam ser moderados nos seus propósitos", Schweitzer tinha plena consciência das dificuldades que ia enfrentar.


Dedicou-se ao estudo da Medicina, de 1905 a 1912, e, finalmente, com 38 anos de idade, terminou o curso. Esses anos foram os mais difíceis e fatigantes de sua vida. Um curso de Medicina já é, por si só, uma atividade que exige muito esforço; pois, ainda assim, ele arranjou jeito de continuar ensinando Filosofia, prosseguiu nas suas atividades como pároco da Igreja de São Nicolau, começou a trabalhar numa edição de Bach, enquanto dava concertos de órgãos, incessantemente.


Casou-se em 1912. Sua esposa, judia, filha de um conhecido historiador de Estrasburgo, aprendeu enfermagem para poder ajudá-lo na África. Quando chegaram a Lambaréné, em 1913, encontraram condições tremendas, como aliás ainda é o caso. Cada palmo de terra habitável da região tem de ser conquistado à floresta gigantesca, que é densamente povoada de animais hostis, como pítons e gorilas. Os rios são infestados de crocodilos.

 

Albert Schweitzer construiu seu hospital do nada, praticamente com as próprias mãos. Uma vez, teve que mudar e reconstruir todo o hospital, porque as velhas cabanas eram pequenas demais para conter a sua crescente clientela. Nem sempre era fácil lidar com os pacientes africanos, atacados de todas as doenças, desde lepra até elefantíase. Uma das biografias de Schweitzer informa que, às vezes, eles comiam os ungüentos receitados para afecções da pele, bebiam de uma vez um vidro de remédio destinado a durar semanas, ou tentavam envenenar outros internados. Depois da morte de um paciente que chegou tarde demais ao hospital, Schweitzer tornou-se suspeito de ser um leopardo disfarçado, que tirava vidas intencionalmente. Uma vez ele se deixou cair muna cadeira e gemeu:

– Que imbecil eu fui, de vir para cá tratar de selvagens como estes!
Seu fiel intérprete africano respondeu:

– É mesmo, doutor, aqui na terra o senhor é um grande imbecil, mas no céu, não.

Apesar de tudo, Schweitzer gostava de Lambaréné e gosta ainda.
Atualmente, não é muito difícil chegar até Schweitzer: a Air France mantém uma linha regular com muitas paradas, que toca em Lambaréné várias vezes por semana. Eu e minha mulher desembarcamos no aeroporto e fomos recebidos por Miss Emma Haussknecht, uma enfermeira alsaciana que trabalha com Schweitzer desde 1925. É uma espécie de gerente-geral da instituição e serve o doutor como intérprete do francês, ou do alemão para o inglês.


Depois de nos conduzirem às nossas acomodações, Miss Haussknecht levou-nos por um caminho enlameado, através do mato e por entre árvores frutíferas, em direção à nova aldeia de leprosos que Schweitzer está construindo. Finalmente, perto de uma clareira, o próprio Schweitzer veio ao nosso encontro. Tem um vigoroso nariz aquilino, bigode grisalho pendente e olhos que fitam realmente a pessoa. É de compleição robusta e usava um capacete para proteger-se contra o sol, camisa branca aberta no peito, calças remendadas e grossos sapatos pretos. Força, repouso, domínio e sensibilidade, todas estas características se refletem na sua fisionomia orgulhosa, sulcada e penetrante. É um rosto magnífico e ele é um homem de aspecto maravilhoso. Schweitzer conduziu-nos até à aldeia de leprosos, onde vivem os doentes mais graves. Ali, o velho doutor imediatamente entrou em ação, dando ordens a uma turma de trabalhadores. Schweitzer começa e termina cada dia com essa ocupação.

É preciso que alguém se incumba disso. Os leprosos não estavam tão doentes, que não pudessem trabalhar; era apenas preguiça e dormência, devido ao tédio e à indiferença.

 

Schweitzer encaminhou-se para o meio deles, com grunhidos explosivos e exortativos. Ele mesmo pegou numa pá e começou a entoar uma espécie de cantilena, para marcar o compasso do trabalho de escavações.

 

O Mundo de hoje conta com bem poucas personalidades que possam ser consideradas valores decisivos para os decisivos da humanidade, espíritos capazes de colocar o exemplo de suas próprias vidas, como garantia máxima de que outros processos e outros métodos, em tudo diferem dos que estão sendo usados por toda parte, possam ser adotados na solução dos problemas internos e externos de diferentes povos.

Albert Schweitzer é um desses raros. Favorecido desde o berço com um ambiente de paz e de felicidade na casa paterna, cercado em sua mocidade de um prestígio capaz de desnortear outros jovens que não o bem humorado e discreto estudante universitário, era bem o tipo de uma vida de elite, que podia facilmente ter procurado nos requintados centros de cultura da Europa uma glória cômoda e fácil.


Não estava, porém, no seu espírito, viver assim. Se a inteligência ardia por uma realização ampla e forte da vida, o coração firme e audaz adivinhava a grandeza da missão que o destino lhe reservara. Voltava os olhos para a África, vendo na miséria das selvas o mesmo mundo infeliz e desamparado que cativara para sempre o coração generoso do bravo de Livingstone. Era lá que estava o campo de batalha, onde o seu profundo ideal humanista encontrara necessária e oportuna aplicação.

- Pedro de Almeida Moura, professor da Universidade de São Paulo, no prefácio ao livro de Albert Schweitzer "Decadência e Regeneração da Cultura", Ed. Melhoramentos, 1948.



"Allez-vous OPP! Allez-vous OPP-upp-OPP! Hupp, upp, OPP!"

O hospital surpreende alguns visitantes, que esperam um asséptico recanto de tranqüilidade, espiritualidade e vida extra mundana. Na realidade, ele parece aquilo que realmente é: uma aldeia nativa. Os pacientes vêm de grandes distâncias, muitas vezes, com as famílias.

O acampamento está situado numa pequena elevação e tem 45 ou mais construções, todas simples e funcionais. O hospital conta entre 350 e 400 pacientes africanos e 75 auxiliares africanos remunerados, alguns deles leprosos (a lepra é provavelmente menos contagiosa do que a tuberculose). Não há caminhos nem estradas calçadas. Não há água corrente, nem eletricidade, a não ser na sala de operações e não há raios X.


Parece haver em torno, maior número de animais do que de seres humanos. O hospital tem cerca de 150 cabras e há toda espécie de criaturas, como periquitos e um filhote de mandril. Perto do salão de jantar, há um porco selvagem numa jaula e um macaco acorrentado a uma árvore. Quatro graciosos antílopes vivem num tosco cercado de arame; o doutor lhes dá de comer todas as noites depois do jantar.


O que parece corresponder à principal enfermaria do hospital é uma longa estrutura de um andar, dividida em quartos estreitos e escuros, cada um dos quais dá para um pátio.


Os pacientes estão deitados em jiraus cobertos de esteira. Do lado de fora de cada porta, arde uma pequena fogueira fumacenta, onde a família do doente prepara a comida. É bom manter essas fogueiras acesas, pois afastam os mosquitos e assim diminuem a incidência da malária e da moléstia do sono.


Quando o paciente não tem família e não está em condições de poder ele próprio cozinhar, torna-se um problema. Os enfermos em geral não aceitam comida de ninguém que não pertença à sua tribo, com medo de serem envenenados.


Schweitzer já salvou milhares de vidas, o que é tanto mais extraordinário quanto considerar o primitivismo e a pobreza de seu equipamento. Que eu visse, não há qualquer espécie de mecanismo para esterilização de ataduras sob pressão; é preciso ferver água sobre fogueiras de lenha. Durante anos, houve falta de drogas e ataduras. Todo alfinete de segurança é precioso. Coisas que se consideram normalmente parte integrante de um hospital são objetos de assombro, quando existem.

Disseram-me que Schweitzer não gosta de complicadas invenções modernas. Para começar, a sua manutenção é difícil num clima tropical. Que adianta ter sacos de água quente, se apodrecem numa semana? Além disso, ele quer que os africanos se sintam à vontade, em circunstâncias que lhes dêem a impressão de estarem em casa.


Uma manhã, espiamos para dentro da sala de operações: era espantoso que do pátio se pudesse olhar diretamente lá para dentro. Sobre a mesa estava um paciente nu, com mercurocromo escorrendo do abdome. O médico que fez a operação – uma hérnia comum – foi almoçar uma hora mais tarde. Não tivera tempo de lavar-se completamente e sentou-se à mesa em mangas de camisa, com os braços ainda rubros de mercurocromo. Não quero dizer com isso que a cirurgia no hospital de Schweitzer seja rústica ou incompetente. Ao contrário, é cirurgia de alta classe.

A vida do hospital gira em torno de uma área descoberta, e sempre cheia, perto do salão de jantar. Há um vaivém de africanos, carregando seus produtos em carretas primitivas. Mulheres, agachadas no chão, amarram folhas de palmeira para cobertura de casas, outras trabalham em máquinas de costura numa varanda, e outras ainda, passam roupa com primitivos ferros cheios de brasas. O doutor anda de um lado para outro no meio dessa ordenada animação, providenciando para que todos trabalhem. A atividade é extraordinariamente intensa.


Embora não seja imposta francamente, a disciplina no hospital é bastante rigorosa. Se ocorre algum distúrbio, os litigantes são chamados ao gabinete do Dr. Schweitzer, um de cada vez. Com os olhos fechados, o doutor lhes diz qual é a sua ordem : "Faça isto" ou "Não quero mais aquilo", sem permitir desculpas ou explicações.


Por vezes, Schweitzer chega a ser ditatorial, afetado e irascível. E por que não ? Se não tivesse defeitos, seria intolerável. Por outro lado, há ocasiões em que tem um encanto mágico e é literalmente adorado pelos seus velhos companheiros. Seu riso "quando ri" é uma impressionante indicação da sua doçura interior. É um riso resplendente, um riso cristalino.

O chefe da clínica de Lambaréné é húngaro (Schweitzer, aos 79 anos, já não exerce tão ativamente a Medicina); outro é um dos sobrinhos de Schweitzer. As enfermeiras, todas européias, parecem tão tímidas, devotas e afastadas do mundo exterior, como freiras. Uma delas me disse que gozam geralmente de boa saúde, mas que apanham malária com mais facilidade quando ficam muito cansadas, depois de tratarem pacientes europeus, porque estes precisam sempre de mais cuidados do que os africanos (os europeus vêm, na maioria, de acampamentos de lenhadores das proximidades e têm acomodações separadas no hospital). Diga-se, de passagem, que Schweitzer nunca viu um caso de apendicite num africano e o câncer é praticamente desconhecido.


A atitude de Schweitzer para com os africanos é um misto de benevolência, perplexidade, irritação, esperança e desespero. São tantos os desamparados, tantos os que não têm o menor senso de responsabilidade ou prazer na realização. Diz ele, que os africanos não têm absolutamente nada que fazer depois que terminam o trabalho à tarde, mas que nunca lhes ocorre pescarem no rio, embora precisem de mais proteína. Se aprendem alguma coisa, afluem imediatamente para as cidades e procuram ser estenógrafos. Entretanto, ele, Schweitzer, não consegue encontrar um bom carpinteiro, nem mesmo um homem para cuidar do pomar.

" Eu sou o único camponês! " disse-nos ele, batendo no peito.

Schweitzer cultiva quase todas as espécies de frutas. Mas devido a uma arraigada superstição nativa, segundo a qual um homem que planta uma árvore frutífera morre antes que ela dê os primeiros frutos, tem sido obrigado a plantar e tratar a maioria das árvores com as próprias mãos. Uma das coisas de que mais se orgulha é de haver tornado Lambaréné um lugar praticamente auto-suficiente em matéria de alimentação.

São facilmente desculpáveis suas irritações com os africanos que, por estupidez ou preguiça, não o ajudam a cuidar das suas árvores. Disse ele:


  Eu ponho aqui uma manga, ali uma banana, mais além, uma fruta-pão. Os africanos não sabem distinguir uma árvore da outra. Explico-lhes. Eles se afastam e, quando chegam ao rio, passados dez minutos, já esqueceram.

Tive a impressão de que ele não acredita muito na capacidade dos africanos – pelo menos nos da sua zona - para um governo autônomo.

Detesta a opressão e acredita piamente na fraternidade do homem.
Mas tem pouco contato direto com muitas das violentas tensões da África moderna e sua ânsia de progresso político.


Estivemos sentados no jardim, em caixotes virados, discutindo sobre estes e outros problemas. Passavam rapazes carregando baldes d’água.


Um deles caminhava lentamente e o doutor voltou-se para ele com um apelo resignado e exasperado:

' Voulez-vous marcher? VOULEZ-vous!


Um segundo depois, ele nos dizia que a única maneira de chegar ao africano era "pelo coração".


às refeições, Schweitzer senta-se no centro de uma longa mesa, com os convidados de honra em frente.


No momento de começar a refeição, diz uma breve oração em francês; logo depois do jantar (nenhuma refeição dura mais de meia hora), anuncia em voz estentórea um hino, e são distribuídos livros de hinos.
Marcha então para um minúsculo piano, numa das extremidades da sala e toca brevemente, mas com grande vigor e precisão, enquanto os demais presentes cantam. Depois volta para seu lugar na mesa, inspeciona uma lista de textos bíblicos, abre bruscamente uma Bíblia e lê algumas linhas.

Schweitzer é um conversador extremamente incisivo, vivo e autorizado, mas raramente fala durante as refeições. A explicação, perfeitamente válida, é que está muito cansado.


Depois do jantar, os médicos e as enfermeiras reúnem-se em um canto da longa sala e tomam chá de canela. Uma noite, Schweitzer nos fez companhia até depois das nove horas. Ao sair da sala de jantar, encheu os bolsos de pedacinhos de comida para dar aos antílopes. A seguir  "depois que desceu o silêncio sobre o resto do acampamento" ele trabalhou até meia-noite, ou mais tarde ainda, escrevendo ou respondendo cartas. Uma vez, assombrou os guardas da Alfândega de Bordéus, ao embarcar num navio com alguma correspondência que não fora respondida. Enchia quatro sacos grandes.


Quando partiu para a África, Schweitzer pensou que estava abandonando para sempre as coisas que lhe eram mais caras – a arte e o ensino. Mas sempre teve um piano consigo na África e, assim, pôde manter em dia a sua música. Depois da Segunda Guerra Mundial, suas gravações de Bach em órgão (feitas durante umas férias que passou na Europa) têm obtido grande êxito artístico. Cada vez que volta à civilização, faz uma longa série de conferências e tem sido homenageado por universidades sem conta. Além disso, trabalhando à noite, tem conseguido manter uma produção literária constante. O ano passado, foi lhe conferido o prêmio Nobel de Paz de 1952.


Tem um penetrante sentido de valores e um bom e sarcástico senso de humor. Quando visitou os Estados Unidos, pela primeira e única vez, em 1949, para assistir ao Festival de Goethe, em Aspen, Estado de Colorado, mostrou-se muito lisonjeado. Schweitzer não tocou especialmente para nós. Ele toca todas as noites, principalmente, quando tem os olhos cansados. Disse há pouco tempo a um visitante "Toco para os meus antílopes".

Mas foi um fascinante privilégio ouvi-lo tocar e essa imagem dele, sentado ao velho piano maltratado, no meio da floresta silenciosa e ameaçadora, é que eu guardarei melhor – a imagem daquele velho e irascível Bismarck do espírito, desse tirano com coração de ouro.

Mais Biografia...

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Albert Schweitzer (14 de janeiro de 1875, Kaysersberg - 4 de setembro de 1965, Lambaréné, Gabão) foi um teólogo, músico, filósofo e médico alsaciano.
Albert Schweitzer nasceu em Kaysersberg, na Alsácia, então parte do império alemão (hoje uma região administrativa francesa).

Formou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Estrasburgo, onde, em 1901, o nomearam docente. Tornou-se, também, um dos melhores intérpretes de Bach e uma autoridade na construção de órgãos.

Aos trinta anos, gozava de uma posição invejável: trabalhava numa das mais notáveis universidades européias; tinha uma grande reputação como músico e prestígio como pastor de sua igreja. Porém, isto não era suficiente para uma alma sempre pronta ao serviço. Dirigiu sua atenção para os africanos das colônias francesas, que, numa total orfandade de cuidados e assistência médica, debatiam-se na dura vida da selva.

Em 1905, iniciou o curso de medicina e, seis anos mais tarde, já formado, casou-se e decidiu partir para Lambarené, no Gabão, onde uma missão necessitava de médicos. Ao deparar-se com a falta de recursos iniciais, improvisou um consultório num antigo galinheiro e atendeu seus pacientes enfrentando obstáculos, como o clima hostil, a falta de higiene, o idioma que não entendia, a carência de remédios e instrumental insuficiente. Tratava de mais de 40 doentes por dia e, paralelamente ao serviço médico, ensinava o Evangelho com uma linguagem apropriada, dando exemplos tirados da natureza, sobre a necessidade de agirem em benefício do próximo.


Com o início da I Grande Guerra, os Schweitzer foram levados para a França, como prisioneiros de guerra. Passaram praticamente todo o período da guerra confinados num campo de concentração. Nesse período, Albert escreveu sobre a decadência das civilizações.

Com o final da guerra, reiniciou seus trabalhos como se nada tivesse acontecido e, ante a visão de um mundo desmoronado, dizia: "Começaremos novamente, devemos dirigir nosso olhar para a humanidade". Realizou uma série de conferências, com o único intuito de colher fundos para reconstruir sua obra na África. Tornou-se muito conhecido em todos os círculos intelectuais do continente, porém, a fama não o afastou de seus projetos e sonhos.


Após sete anos de permanência na Europa, partiu novamente para Lambaréné. Desta vez, acompanhado de médicos e enfermeiras dispostos a ajudá-lo. O hospital foi levantado numa área mais propícia e, com o auxílio de uma equipe de profissionais, pôde dedicar algumas horas de seu dia a escrever livros, cuja renda contribuía para manter os pavilhões hospitalares.
Extasiou o mundo com sua vida e sua obra e, em 1952, recebeu o Prêmio Nobel da Paz, como humilde homenagem a um "Grande Homem".

Morreu em 4 de setembro de 1965, em Lambaréné, 

______________________________________________

      Médico da Paz


Albert Schweitzer (1875  - 1965), médico e filósofo,  viajou para a África em 1913, resolvido a dedicar sua vida ao trabalho junto às tribos do Gabão. Um ano depois de sua viagem, estourou a Primeira Grande Guerra Mundial e ele foi procurado por representantes do movimento pacifista, pedindo que voltasse à Europa, a fim de ajudá-los a combater a Guerra.

·         Estou fazendo o possível para ajudar, respondeu Schweitzer.

·         Estou aqui, lutando contra á miséria.

·         Mas, e a humanidade? Perguntou uns dos membros da comissão.

·         Esta é a humanidade, respondeu Schweitzer, apontando para os seus doentes.

·         Isto é o que posso fazer, e representa mais do que discursos de paz. Se eu aliviar a dor de alguns poucos, toda a raça humana se sentirá melhor"

                                                                                 Paulo Coelho
________________________________________________________________

O   
    Pai Branco da Áfirca

Albert_1


                  A marca dos grandes gênios é a precocidade. Essa regra mostrou-se invariável com Albert Schweitzer. Nascido em 14 de janeiro de 1875, em Kayserberg, Alsácia, na época parte da Alemanha, desde a mais tenra infância esboçou lampejos de genialidade.

Aos sete anos, Schweitzer compôs um hino, começou a tocar órgão e aos nove, substituiu o organista regular nos cultos de uma igreja.

Com mente aguçada e percepção rara dos fatos da vida, loo adquiriu uma formação eclética que o notabilizou como escritor, músico, filósofo, médico, teólogo e acima de tudo, como homem sensível  às necessidades humanas.

Após freqüentar a Universidade de Estramburgo e, mais tarde, estudar em Paris e Berlim, decidiu, aos 21 anos, que viveria até os trinta "pela ciência e a arte", e então devotaria o resto de sua vida "ao serviço da humanidade".

Como reconhecia em seu credo de fé, "na ajuda ao próximo, o homem pode penetrar no limiar da aventuras da alma, a mais segura fonte de paz e satisfação de nossa vida. Essa carreira do espírito eu chamo de Segunda profissão. Não há melhor remuneração do que o privilégio de exercê-la".

Albert Schweitzer trabalhou em sua primeira profissão, mas viveu intensamente a Segunda, a "carreira do espírito". Como afirmam seus biógrafos, ele era um desses raros filósofos cujas crenças estavam em consonância direta com o seu dia a dia, um homem em que a bondade e um anseio de beleza espiritual estavam estreitamente fundidos.

Ele sabia que "o que o mundo mais precisa é de homens que se preocupam com as necessidades de outrem". Nesse sentido convergiu todos os seus esforços e cada fagulha do seu espírito.

Como apóstolo de Paulo que o precedera centenas de anos antes, ele "não foi desobediente à vista celestial" que lhe fora dada. Atendeu prontamente ao chamado numa noite, em 1904, ao ler o relatório da Sociedade Missionária de Paris, no qual se lamentava a inexistência de voluntários em número suficiente que permitisse à missão atuar no Gabão (aquela época colônia francesa).

Na ocasião, como lembrou o próprio Schweitzer, o texto do apelo terminava com as seguintes palavras: "os homens e as mulheres que podem responder simplesmente ao rogo do criador e dizer  Senhor estou indo, são as pessoas que a igreja precisa".

Ao aceitar o chamado, resolveu tornar-se médico e ir para a África Equatorial Francesa. Para isso, ingressou na faculdade de medicina e, enquanto fazia curso, ganhava a vida lecionando teologia e dando concertos de órgão.

Devido ao cansaço de longas horas de estudo de medicina, pedia à empregada uma bacia de água fria onde mergulhava os pés e os deixava de molho quando sentia sono.

Casou-se com Helene Bresslau que estuda enfermagem enquanto ele cursava medicina tropical. Em 1913 embarcaram para Lambaréné, no Gabão. África onde vieram instalar um hospital na selva. Nesse lugar entre os nativos, tratou de doentes durante meio século e professou a filosofia expressa em sua frase: ehrfurcht vor dem leben (reverência pela vida).

Existem vários fatos pitorescos legados ao trabalho de Albert Schweitzer, ao seu desprendimento, criatividade e senso de humor. Por exemplo, quando perguntaram por que viajava de terceira classe nos trens europeus, ele respondeu: "é porque não há quarta".

Nesse espírito, dados todos os sacrifícios, e,  propenso a todos os possíveis atos de amor, conseguiu conquistar o respeito e a simpatia dos antes desconfiados nativos. Como uma vela acessa na escuridão da África, a sua vida extinguiu-se espargindo Luiz, possibilitando salvação.

Quando veio a falecer. às 23:30 horas do dia 04 de setembro de 1965, os nativos espalharam a triste mensagem através dos tambores: Papa pour nous (pai para todos nós) morreu.

                                     Elizeu G. Lira

_______________________________________________________________

Interiorização na cultura do quotidiano e Ética de 

Respeito à Vida na África e no Brasil


O papel da mulher na difusão e realização de ideais 

de Albert Schweitzer

Carolina e Luise Breslau, Tatiana Braunwiese


Imagens de Mittelbergheim. Ciclo de estudos Alsácia-Brasil

Fotos A.A.Bispo 2009



Ciclo de estudos da A.B.E. de Cultura e Ética nos Estudos Interculturais - Contextos Alsácia/Brasil 2009, sob a direção de A.A.Bispo. Mittelbergheim



Uma das aldeias oficialmente consideradas como das mais belas da França é Mittelbergheim, nas proximidades de Barr, Alsácia. A sua história remonta a um povoado estabelecido pela Abadia de Andlau, subordinada ao bispo de Estrasburgo. O castelo local, erigido em 1274, foi destruído poucos anos depois pelo bispo Conrad de Lichenberg. Assim, apesar da existência de resíduos históricos, a aldeia, sem monumentos de particular  espetacularidade, com exceção de uma histórica igreja calvinista, impressiona hoje sobretudo pela sua simplicidade sóbria, onde modéstia e comedição de sua arquitetura se harmonizam com a natureza envolvente. Essa localidade oferece assim um ambiente adequado para reflexões que exigem particular concentração e aguçamento da sensibilidade para estilos de vida marcados pela austeridade.


Uma dessas questões diz respeito ao estudo cultural das relações entre concepções e visões do mundo e a cultura vivida no dia-a-dia por representantes de determinadas correntes do pensamento filosófico-cultural de orientação ética, como no caso daqueles que seguiam concepções correspondentes ou similares às de Albert Schweitzer (1875-1965) no Brasil. O modo de vida, a cultura do quotidiano desses círculos surge, em considerações menos profundas, como estranhamente contrastantes com uma cultura brasileira marcada na sua imagem por exteriorizações festivas e manifestações de pujança, por tendências ao empolgante, a encenações grandiloquentes e à extravazão de sentimentos e emoções, características vistas muitas vezes como resultados naturais de um mundo tropical. É compreensível, portanto, que a cultura desses círculos surja, na perspectiva de observadores que partem de estereotipos, como inadaptada à situação brasileira, como expressão de modos de vida transplantados, próprios de imigrantes europeus não assimilados, sem maior relevância para os estudos culturais.

 Esquece-se, assim, que a história documental do Brasil inicia-se sob o signo do Franciscanismo de religiosos que celebraram a primeira missa e que marcaram com a sua ação e sua cultura de vida a formação cultural do país. A lembrança desse fato indica a necessidade de estudos culturais mais diferenciados, que não partam de oposições entre expressões festivas da alegria e uma cultura marcada pelo despojamento material, pela simplicidade, por uma "pobreza" externa, de uma vida em espírito de penitência, de cunho franciscano ou não. Tais estudos podem demonstrar também que houve diferentes correntes, diversas fases e transformações numa história cultural orientada segundo ideais espirituais ou de interiorização,

 Sob esse enfoque, impõe-se também uma reconsideração da cultura do quotidiano daqueles círculos que, no século XX, defenderam posições filosófico-culturais de orientação ética correspondentes aos ideais de Veneração à Vida. Ponto de partida para tal reavaliação é de natureza teórico-cultural, uma vez que o próprio Albert Schweitzer salientou que mesmo as suas concepções de natureza mais imediatamente reconhecidas como culturais, por exemplo aquelas relativas à organística e à interpretação de Bach diziam respeito à dimensão imaterial da cultura e correspondiam a uma determinada atitude de condução de vida marcada pela interiorização.

 Caminhos da difusão de concepções de Albert Schweitzer no Brasil

 Pressuposto para a consideração da ação das concepções de Albert Schweitzer no Brasil, de sua permanência no presente e de sua potencialidade para o futuro é o estudo dos caminhos históricos de sua difusão e recepção. Esse estudo é de interesse não apenas sob o ponto de vista da irradiação da obra e da personalidade de um pensador que adquiriu extraordinária projeção em meados do século XX. Surge como significativo para uma história do desenvolvimento de visões e iniciativas relativas a uma concepção de cultura de fundamentação ética e de orientação à vida nas suas relações com uma cultura do quotidiano.

 Em presente marcado pelo agravamento de problemas ecológicos e sociais, os anseios relativos ao reconhecimento e a uma conscientização ampla dos problemas, de análise dos processos em vigência, de mudança e superação de fatores que levaram a desenvolvimentos desfavoráveis, de crítica e de ação construtiva no presente necessitam ser êles próprios refletidos e aprofundados, exigindo também a mudança de modos de vida. A

sua inserção em correntes do pensamento e o exame das rêdes de pensadores envolvidos pode oferecer uma possibilidade para auto-exames diferenciados, dando-lhes profundidade histórica. Podem oferecer subsídios para o desenvolvimento das reflexões no presente, uma vez que revelam que idéias que surgem como atuais já foram há muito pensadas e difundidas. Pode-se então examinar os fatores positivos e negativos no caminho de sua propagação e concretização, evitando-se repetições e desacertos. Esse esforço de reconstrução de uma história do pensamento dirigido a uma cultura de fundamentação ética de orientação ambiental e à vida surge como uma tarefa de uma História das Idéias e de uma História Cultural refletidas, desenvolvidas sob enfoques globais e que considerem questionamentos, pontos de vista, perspectivas e aproximações metodológicas do debate teórico da atualidade.

 Concepções de Albert Schweitzer em círculos musicais

 O significado de estudos relativos à difusão de concepções filosófico-culturais de orientação ética em determinadas esferas culturais e rêdes sociais torna-se particularmente evidente na história da recepção de Albert Schweitzer em São Paulo, após a Segunda Guerra Mundial. O caminho respectivo deu-se privilegiadamente através do meio musical, em particular em círculos de origem ou de influência centro-européia.

 Considerando que Albert Schweitzer, nas suas múltiplas aptidões e atividades, projetou-se internacionalmente como organista e pesquisador de J.S.Bach, compreende-se que também as suas posições filosófico-culturais tivessem encontrado favoráveis condições para a sua recepção sobretudo em círculos da vida musical voltados ao cultivo da música de J.S.Bach. Seria porém um êrro ver no Movimento Bach no Brasil originalmente uma expressão da influência de Albert Schweitzer. Os esforços de redescobrimento e de propagação da música de J.S.Bach no Brasil, e mesmo a sua consideração mais profunda e diferenciada na crítica e na criação musical foram anteriores a essa recepção, devendo ser examinados no seu desenvolvimento próprio.

 Constata-se, sim, um certo paralelo com a situação européia vivenciada por Albert Schweitzer no início do século. Também êle encontrou para a sua obra relativa a Bach pré-condições propícias, vindo de encontro a uma necessidade de reflexões sistematizadas já amplamente sentida. No Brasil, basta-se considerar que a Sociedade Bach de São Paulo, fundada em 1935, de início não tinha conhecimento da obra de Albert Schweizer relativa a Bach, nem muito menos da sua visão do mundo e do sistema filosófico-cultural que desenvolvera. O seu descobrimento, dez anos depois, surgiu como um fato surpreendente, pois veio confirmar concepções e práticas já há muito defendidas e realizadas, fortalecendo-as com a autoridade de uma personalidade de renome internacional e com a sua formulação sistemática,. Essa situação foi descrita por Tatiana Braunwieser, em conferência pronunciada em 1962. (Tatiana Braunwieser e Sonia Oiticica, Albert Schweitzer, Apóstolo de Bach, manuscrito datilografado da conferência. Veja, a respeito, também outros artigos nesta edição)

 Quando, por ocasião dos 250° dia de nascimento de J.S.Bach, fundamos a Sociedade Bach de São Paulo, não tivemos, infelizmente, o mínimo conhecimento da existência de Dr. Schweitzer. Dizemos infelizmente, pois em primeiro lugar isso representa uma falha na nossa educação musical e em segundo - quanto mais rico não poderia ter sido o desenvolvimento desta nossa sociedade sob a benção do querido doutor da, mata virgem“?

 O veículo para a introdução da obra de Albert Schweitzer e do culto à sua personalidade no âmbito da Sociedade Bach de São Paulo deu-se após o término da Segunda Guerra através de pessoas a êle vinculadas por laços familiares, em particular através de Carolina Bresslau, que encontrou em Tatiana Braunwieser uma personalidade com similares visões e convicções:

 Quão grande, porém, foi nossa satisfação, nosso júbilo, podemos dizer, quando em 1945  apareceu para participar do nosso Conjunto Coral D. Carolina Bresslau Aust, a sobrinha de Dr. Schweitzer e, com ela, se iniciou uma aproximação nossa ao fenômeno „Albert Schweitzer“, tão preciosa à nossa Sociedade.

 Albert Schweitzer e o Bi-Centenário da morte de J.S.Bach no Brasil

 
A passagem dos 200 anos da morte de J.S.Bach ofereceu uma oportunidade para a difusão do nome e de concepções de A. Schweitzer em São Paulo e fora de São Paulo. Ainda aqui deve-se salientar o papel feminino, em particular Luise Breslau. Para essa ocasião, a Sociedade Bach de São Paulo promoveu a realização da Paixão Segundo São João, sob a regência de Martin Braunwieser, apresentada no Teatro da Sociedade de Cultura Artística.

 Por ocasião desse bi-centenário, a revista Intercâmbio, fundada por Theodor Heuberger, então já no seu vigésimo ano de existência, dedicou todo um número a Johann Sebastian Bach, nele incluindo um artigo de Luise Breslau sobre Albert Schweizer. Editada pela Pró-Arte do Brasil, era um órgão dos mais significativos de círculos musicais marcados pela presença alemã no Brasil e de influência no meio musical em geral, sobretudo através dos Cursos Internacionais de Férias de Teresópolis. Colaborando com numerosos órgãos oficiais e outras associações, entre elas a Associação de Canto Coral, a Pró Arte do Brasil realizou, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a 8 de julho de 1950, um Festival Bach. Essa revista comemorativa tornou-se uma publicação de extraordinário interesse para a história da musicologia no Brasil e das relações Alemanha-Brasil. Reune artigos e traduções de textos de varios musicólogos e músicos europeus (W. Gurlitt, H.J. Moser, K. G. Fellerer, A. Koeberle, H. Kralik, P. Fournier, P. Wallfish, E. Fischer e outros), além de renomados intelectuais brasileiros (O. Nogueira de Matos, A. Muricy, E. N. França e outros).

 É nesse contexto que deve ser lido o artigo de Luise Breslau intitulado "Albert Schweitzer a respeito de Bach“, publicado em alemão. Nesse texto, a autora cita o exemplar da obra que servira de base aos estudos empreendidos no âmbito da Sociedade Bach de São Paulo. A autora salienta o aspecto a-temporal da música de Bach, ou seja, procura inserí-la, ainda que de forma discreta, numa determinada visão do mundo.

 à minha frente tenho o livro de acima de 600 páginas sobre J.S.Bach, de Albert Schweitzer, escrito em 1907 (desde então surgido em várias edições), e originado de seu livro Bach publicado em francês. Foi ampliado substancialmente à época em que o autor acompanhava ao órgão as execuções de Bach na Wilhelmerkirche em Strassburg, sob a direção de Ernst Münch. O livro de Schweitzer não é uma biografia, referindo-se na sua obra sempre à grande biografia de Bach de Philipp Spitta. Ele quis escrever um estudo estético prático e é ainda hoje utilizado por regentes e músicos de todo o tipo.

 Uma tentativa de relacionar a música do gênio Bach com a vida quotidiana do Cantor de S. Thomas não é produtiva. Schweitzer diz, a respeito: As obras de Bach seriam as mesmas, mesmo se a sua existência tivesse decorrido de forma totalmente diversa. Se tivéssemos mais conhecimentos da sua vida, do que é o caso, e se todas as cartas que escreveu tivessem sido conservadas, não saberíamos mais do que agora a respeito da origem interna de sua obra.

 (...)

 Logo após a sua morte, a música tomou caminhos totalmente diversos, nos quais também os filhos do mestre dele se afastaram. Quase um século permaneceu quase que esquecido, e apenas aos poucos começou-se a perceber a magnitude imponderável da obra de Bach. Mas a recepção da música de Bach não aumenta constantemente de forma unificada, havendo discussões surgidas de correntes do tempo sobre as suas características e o seu valor. Um pesquisador do sentido da música de Bach é A. Schweitzer. Ele chama a atenção de forma mais clara do que outros intérpretes de Bach para a sua pintura em sons, para a sua linguagem musical pictórica, na qual alegria, dor, mêdo, arrogância, força etc. são expressos através de motivos determinados, assim como também os movimentos - o correr, o titubear, o tender, o descer etc.. Nas suas Cantatas e Paixões, Bach se prende ao conteúdo do texto, encontrando para ele a linguagem musical. Assim, as suas composições não surgem como envelhecidas, ou apenas como elaborações plenas de arte de todas as possibilidades contrapontísticas, mas sim elas falam ainda hoje a nós, tocando-nos de forma vital. As composições para piano e órgão tornaram-se patrimônio generalizado do mundo musical. Outro é o caso das obras corais, para cuja execução tem-se a necessidade de coros bem preparados e orquestras. Aqui pode-se ainda revelar muito de magnífico, mesmo se repetidamente ouvidas. (op.cit. 50, trad. A.A.B.)

Comemorações de Goethe e Prêmio Nobel. Primeira carta de A. Schweitzer


Assim como na própria vida de Albert Schweitzer a atividade musical e musicológica se transformou quase que em instrumento de sua missão mais ampla de ação médico-humanitária e filosófico-cultural de implantação de uma ética de veneração à vida, passando a realizar consertos, sobre tudo para  angariar fundos para a sua obra também no Brasil foi o Movimento Bach sobretudo um veículo, um meio para a difusão de concepções ético-culturais.

 


 

  

































minha idade faz-me pensar nas palavras do Actus Tragicus - Põe em ordem a tua casa... assim preciso cuidar de terminar os trabalhos incompletos...

     Soube com muito interesse do senhor e de sua atividade com o Coral Bach e desejo-lhe o sucesso que merece.

         Mando-lhe pelo correio simples minha fotografia ao lado de um órgão holandês 

Assim, músicos e professores de música passaram a ser  admiradores e propagadores de posições de A. Schweitzer mesmo fora da esfera especificamente musical. Duas foram as circunstâncias de projeção internacional que levaram a um  contato direto da Sociedade Bach de São Paulo com Schweitzer: as comemorações do bicentenário de nascimento de J.W. Goethe (1749-1832), em 1949, e, alguns anos mais tarde, pelo fato de ter obtido, em 1952, o Prêmio Nobel da Paz. Esse prêmio foi-lhe concedido por seu trabalho no hospital de Lambarene no Gabão e pelos seus esforços para o entendimento entre os povos. A segunda carta foi enviada apenas em 1954, ano em que se comemorava o IV Centenário da Fundação de São Paulo. Era uma esperança não confessada dos dirigentes da Sociedade Bach de São Paulo que A. Schweitzer pudesse vir ao Brasil neste ano comemorativo.

 Quando o Dr. Schweitzer esteve na América do Norte em 1949, onde falou sôbre Goethe e mais tarde em 1954, na ocasião em que foi receber seu prêmio Nobel da Paz (cuja importância em dinheiro foi aplicada integralmente na construção de mais uma dependência do hospital de Lambarene), escrevemos-lhe indagando se êle não poderia tornar possível uma visitinha a São Paulo para falar ou tocar para nós. Ele não podia dispor de tempo necessário para isso, mas escreveu uma gentilíssima carta, que traduzimos:

 

     "Caro Sr. Braunwieser, muitos agradecimentos pelas suas duas cartas. Como eu gostaria de corresponder ao seu convite amável de escrever e mandar um artigo sôbre Bach para sua Sociedade. Porém, não é possível. Meus dias estão repletos de trabalho de tal forma que não encontro tempo para a correspondência mais urgente e não tenho bastante tempo para dormir, porque preciso trabalhar de noite...E quando, finalmente, encontro um tempinho para uma tarefa espiritual, preciso aproveitá-la para terminar o terceiro volume da minha Filosofia da Cultura. A : uma para o senhor e a outra para por na parede da sala dos ensaios. E se o senhor ficar um dia tentado a levar um andamento rápido demais, ou conseguir uma força maior de som à custa de sua beleza, ou não dar suficiente atenção à dicção defeituosa - então meu retrato olhará para o senhor e o côro implorando.

            Com os melhores pensamentos para o senhor, o côro e os instrumentistas, seu

           Albert Schweitzer"

 25 anos da Sociedade Bach de São Paulo. Segunda carta de A. Schweitzer

 Na ocasião do nosso Jublieu de Prata, enviamos-lhe um diploma de sócio honorário, ao que êle respondeu com mais uma carta gentil e amiga:

 "Sr. e Sra. Braunwieser, queridos companheiros em Bach. A sra., querida senhora Braunwieser telefonou a sra. Bresslau-Hoff, dizendo que não espera de mim uma carta em resposta a ter ficado sócio honorário de sua Sociedade. Com isso, porém, a sra. me subestimou demais. Não me permitiria de deixar essa carta sem responder. Só que não posso escrever quando quero e desejo. O trabalho que devo realizar diariamente e a correspondência que cresce de um ano para outro, como também a cãimbra da minha mão não me permitem a dar conta dela. Porém, esforço-me em conseguí-lo. Assim, com esta consciência limpa, peço-lhes a ambos e a Sociedade Bach perdoar a minha resposta atrasada. 

Sei avaliar a importância de pertencer, mesmo que seja apenas com o nome, ao seu empreendimento artístico. Há 25 anos existe sua Sociedade Bach! Quanto isso significa, como realização cultural no campo ainda não explorado! Queira transmitir aos sócios da Sociedade os meus melhores cumprimentos.

Agradeço-lhe também o bonito diploma, pintado à mão. Sempre o terei na minha lembrança. Cumprimente, por favor, da minha parte os cantores e instrumentistas da Sociedade Bach, como também os dirigentes e solistas. Com quanto gosto iria eu um dia a São Paulo e ouviria Bach nessa cidade. A minha existência, porém, não permite viagens. Tenho múltiplas ocupações e não posso interromper nenhuma delas. Só raramente e por pouco tempo posso visitar a Europa. 

Com os melhores pensamentos, seu dedicado

Albert Schweitzer"

 

 

Tatiana Braunwieser. 
Foto da época da conferência

 

Como gostaríamos de conversar a miúde com este mestre tão amigo nosso e tão amigo do nosso patrono. Quantas idéias fecundas poderíamos colher para o nosso trabalho!° Gostariamos de saber a posição que êle toma em vista das hipóteses que surgem a respeito de Bach em conseqüência das investigações atuais. Pois os estudos, análises e experiências a respeito dessa personalidade tão impressionante e da sua obra continuam sempre. Atualmente está sendo editada aos poucos (assim como o foi a obra em 46 volumes editada por Breikopf und Haertel) por Bärrenreiter Verlag a obra completa em cerca de 80 volumes. Pode-se imaginar como essa edição estará enriquecida por prefácios, pareceres e, enfim, trabalhos científicos de toda espécie. O que intriga muito os estudiosos são os . textos das Cantatas e dos Corais. Qualquer bom músico pergunta: como é possível que um tão grande compositor tão universal, se servia da letra tão pouco condizente com o valor da sua música? Essa pergunta cruciante levou alguns musicólogos ao ponto de julgar que Bach não escreveu inicialmente as Cantatas para o culto, mas sim com letra profana para o teatro e adaptou-as ao culto, mudnado a letra na medida que foi obrigado em Leipzig a fornecer cada domingo uma nova Cantata.

 

Não nos parece de algum valor perder tempo em suposições e investigações para provar ou combater essas idéias. Pois mesmo se assim fosse - perderiam essas obras magníficas alguma coisa do seu valor? A letra, de fato, na sua maioria não é bonita e desagrada bastante quanto à sua coordenação. Os textos profanos, porém, não faziam exceção a esta regra e, portanto não se entende êsse desejo ardente de provar que Bach teria escrito com mais entusiasmo óperas do que Cantatas. Pois se o tivesse desejado, não o teria feito? Porque então, além das Cantatas, Corais, enfim, música religiosa, escreveu tanta obra instrumental? Cravo bem temperado, Sonatas para toda espécie de instrumentos, concertos, suítes, para não falar nas duas obras monumentais, sem indicacão de instrumento: a Oferenda Musical e a Arte da Fuga? Quanto à sua profunda fé e piedade não existe a mais fraca margem de dúvida, pois tudo que êle escrevia era Soli Deum Gloria.

 Parece-nos, também um tanto estéril o grito dos Neo-românticos, que ecoa até os nossos dias: Como seria feliz Bach se possuísse um Bechstein de cauda, ao invés do pobre cravo ou clavicórdio. Ou um coro de Oratório de 300 vozes, ao invés dos 25 ou 30 meninos de São Tomás?

 Talvez êle teria sido feliz, se... porém já que não tinha e nem sonhava com nada disso, vamos executar suas músicas da maneira mais condizente com a sua intenção, assim como, também o procurou sempre fazer Albert Schweitzer.

 50 anos do Hospital de Lambarene

 Uma nova data significativa para a ampla difusão da obra e da personalidade de A. Schweitzer no Brasil foi a passagem dos 50 anos do hospital de Lamberene, quando sobretudo a sua ação médico-humanitária passou a constituir o principal centro de atenções. Assim, os próprios professores de música e propagadores da obra de J.S.Bach passaram a olhá-lo sobretudo a partir deste seu empenho. Preparando essa data, Tatiana Braunwieser, em audição de encerramento de 1962 da Escola de Música de Piracicaba, dirigida por Ernst Mahle, realizou um recital de seus alunos de canto, juntamente com aqueles de violino de Olenio Veiga e de clarineta de Salvador Masano, proferindo, na primeira parte da sessão, uma conferência na qual salientou, de início, a atividade de A. Schweitzer no hospital de Lambarene e a fundamentação ética desse empenho:

 No próximo ano de 1963, o Hospital de Lambarene, fundado e dirigido por Dr. Albert Schweitzer, amigo do Governador, o qual, logo à proclamação da independência do Gabão, emitiu selos de correio com a efígie do maior benfeitor de seus súditos, festeja seu jubileu de ouro.

 Albert Schweitzer, médico da "mata virgem" que vive há meio século no minúsculo país da África Equatorial Francesa - Gabão, situado exatamente no Equador, dedicando totalmente seu tempo, suas forças, sua saúde ao tratamento de clientes pretos, portadores de graves doenças tropicas; este médico que sacrificou a carreira brilhante, a vida de família, o conforto do ambiente da sua terra natal, para viver o resto da vida entre nativos africanos - é a maior autoridade atual em tudo que se refere a Bach. Porque?

 Albert Schweitzer resolveu estudar medicina com 30 anos completos para seguir, depois de se formar, à selva da África, levando aos nativos auxílio físico e espiritual, expiando assim pelo menos uma pequenina parte da culpa que a raça branca tem perante seus irmãos pretos; de todo o mal que lhes causou, seja nas suas colonias, seja nas duas Américas.

 E antes do estudo de medicina qual foi a tarefa desse homem extraordinário? Pois, além do sacerdócio (êle é pastor protestante, como o foi também seu pai) - música e, principalmente música de Bach.

uciante levou alguns musicólogos ao ponto de julgar que Bach não escreveu inicialmente as Cantatas para o culto, mas sim com letra profana para o teatro e adaptou-as ao culto, mundado a letra na medida que foi obrigado em Leipzig a fornecer cada domingo uma nova Cantata.

 

Não nos parece de algum valor perder tempo em suposições e investigações para provar ou combater essas idéias. Pois mesmo se assim fosse - perderiam essas obras magníficas alguma coisa do seu valor? A letra, de fato, na sua maioria não é bonita e desagrada bastante quanto à sua coordenação. Os textos profanos, porém, não faziam exceção a esta regra e, portanto não se entende êsse desejo ardente de provar que Bach teria escrito com mais entusiasmo óperas do que Cantatas. Pois se o tivesse desejado, não o teria feito? Porque então, além das Cantatas, Corais, enfim, música religiosa, escreveu tanta obra instrumental? Cravo bem temperado, Sonatas para toda espécie de instrumentos, concertos, suítes, para não falar nas duas obras monumentais, sem indicacão de instrumento: a Oferenda Musical e a Arte da Fuga? Quanto à sua profunda fé e piedade não existe a mais fraca margem de dúvida, pois tudo que êle escrevia era Soli Deum Gloria.

 Parece-nos, também um tanto estéril o grito dos Neo-românticos, que ecoa até os nossos dias: Como seria feliz Bach se possuísse um Bechstein de cauda, ao invés do pobre cravo ou clavicórdio. Ou um coro de Oratório de 300 vozes, ao invés dos 25 ou 30 meninos de São Tomás?

 Talvez êle teria sido feliz, se... porém já que não tinha e nem sonhava com nada disso, vamos executar suas músicas da maneira mais condizente com a sua intenção, assim como, também o procurou sempre fazer Albert Schweitzer.

 50 anos do Hospital de Lambarene

 Uma nova data significativa para a ampla difusão da obra e da personalidade de A. Schweitzer no Brasil foi a passagem dos 50 anos do hospital de Lamberene, quando sobretudo a sua ação médico-humanitária passou a constituir o principal centro de atenções. Assim, os próprios professores de música e propagadores da obra de J.S.Bach passaram a olhá-lo sobretudo a partir deste seu empenho. Preparando essa data, Tatiana Braunwieser, em audição de encerramento de 1962 da Escola de Música de Piracicaba, dirigida por Ernst Mahle, realizou um recital de seus alunos de canto, juntamente com aqueles de violino de Olenio Veiga e de clarineta de Salvador Masano, proferindo, na primeira parte da sessão, uma conferência na qual salientou, de início, a atividade de A. Schweitzer no hospital de Lambarene e a fundamentação ética desse empenho:

 No próximo ano de 1963, o Hospital de Lambarene, fundado e dirigido por Dr. Albert Schweitzer, amigo do Governador, o qual, logo à proclamação da independência do Gabão, emitiu selos de correio com a efígie do maior benfeitor de seus súditos, festeja seu jubileu de ouro.

 Albert Schweitzer, médico da „mata virgem“ que vive há meio século no minúsculo país da África Equatorial Francesa - Gabão, situado exatamente no Equador, dedicando totalmente seu tempo, suas forças, sua saúde ao tratamento de clientes pretos, portadores de graves doenças tropicas; este médico que sacrificou a carreira brilhante, a vida de família, o conforto do ambiente da sua terra natal, para viver o resto da vida entre nativos africanos - é a maior autoridade atual em tudo que se refere a Bach. Porque?

 Albert Schweitzer resolveu estudar medicina com 30 anos completos para seguir, depois de se formar, à selva da África, levando aos nativos auxílio físico e espiritual, expiando assim pelo menos uma pequenina parte da culpa que a raça branca tem perante seus irmãos pretos; de todo o mal que lhes causou, seja nas suas colonias, seja nas duas Américas.

 E antes do estudo de medicina qual foi a tarefa desse homem extraordinário? Pois, além do sacerdócio (êle é pastor protestante, como o foi também seu pai) - música e, principalmente música de Bach.

 Como gostariamos de conversar a miude com este mestre tão amigo nosso e tão amigo do nosso patrono. Quantas idéias fecundas poderiamos colher para o nosso trabalho!° Gostariamos de saber a posição que êle toma em vista das hipóteses que surgem a respeito de Bach em conseqüência das investigações atuais. Pois os estudos, análises e experiências a respeito dessa personalidade tão impressionante e da sua obra continuam sempre. Atualmente está sendo editada aos poucos (assim como o foi a obra em 46 volumes editada por Breikopf und Haertel) por Bärrenreiter Verlag a obra completa em cerca de 80 volumes. Pode-se imaginar como essa edição estará enriquecida por prefácios, pareceres e, enfim, trabalhos científicos de toda espécie. O que intriga muito os estudiosos são os . textos das Cantatas e dos Corais. Qualquer bom músico pergunta: como é possível que um tão grande compositor tão universal, se servia da letra tão pouco condizente com o valor da sua música? Essa pergunta cruciante levou alguns musicólogos ao ponto de julgar que Bach não escreveu inicialmente as Cantatas para o culto, mas sim com letra profana para o teatro e adaptou-as ao culto, mundado a letra na medida que foi obrigado em Leipzig a fornecer cada domingo uma nova Cantata.

 Não nos parece de algum valor perder tempo em suposições e investigações para provar ou combater essas idéias. Pois mesmo se assim fosse - perderiam essas obras magníficas alguma coisa do seu valor? A letra, de fato, na sua maioria não é bonita e desagrada bastante quanto à sua coordenação. Os textos profanos, porém, não faziam exceção a esta regra e, portanto não se entende êsse desejo ardente de provar que Bach teria escrito com mais entusiasmo óperas do que Cantatas. Pois se o tivesse desejado, não o teria feito? Porque então, além das Cantatas, Corais, enfim, música religiosa, escreveu tanta obra instrumental? Cravo bem temperado, Sonatas para toda espécie de instrumentos, concertos, suítes, para não falar nas duas obras monumentais, sem indicacão de instrumento: a Oferenda Musical e a Arte da Fuga? Quanto à sua profunda fé e piedade não existe a mais fraca margem de dúvida, pois tudo que êle escrevia era Soli Deum Gloria.

 Parece-nos, também um tanto estéril o grito dos Neo-românticos, que ecoa até os nossos dias: Como seria feliz Bach se possuísse um Bechstein de cauda, ao invés do pobre cravo ou clavicórdio. Ou um coro de Oratório de 300 vozes, ao invés dos 25 ou 30 meninos de São Tomás?

 Talvez êle teria sido feliz, se... porém já que não tinha e nem sonhava com nada disso, vamos executar suas músicas da maneira mais condizente com a sua intenção, assim como, também o procurou sempre fazer Albert Schweitzer.

 50 anos do Hospital de Lambarene

 Uma nova data significativa para a ampla difusão da obra e da personalidade de A. Schweitzer no Brasil foi a passagem dos 50 
anos do hospital de Lamberene, quando sobretudo a sua ação médico-humanitária passou a constituir o principal centro de atenções. Assim, os próprios professores de música e propagadores da obra de J.S.Bach passaram a olhá-lo sobretudo a partir deste seu empenho. Preparando essa data, Tatiana Braunwieser, em audição de encerramento de 1962 da Escola de Música de Piracicaba, dirigida por Ernst Mahle, realizou um recital de seus alunos de canto, juntamente com aqueles de violino de Olenio Veiga e de clarineta de Salvador Masano, proferindo, na primeira parte da sessão, uma conferência na qual salientou, de início, a atividade de A. Schweitzer no hospital de Lambarene e a fundamentação ética desse empenho:

 No próximo ano de 1963, o Hospital de Lambarene, fundado e dirigido por Dr. Albert Schweitzer, amigo do Governador, o qual, logo à proclamação da independência do Gabão, emitiu selos de correio com a efígie do maior benfeitor de seus súditos, festeja seu jubileu de ouro.

 Albert Schweitzer, médico da "mata virgem" que vive há meio século no minúsculo país da África Equatorial Francesa - Gabão, situado exatamente no Equador, dedicando totalmente seu tempo, suas forças, sua saúde ao tratamento de clientes pretos, portadores de graves doenças tropicas; este médico que sacrificou a carreira brilhante, a vida de família, o conforto do ambiente da sua terra natal, para viver o resto da vida entre nativos africanos - é a maior autoridade atual em tudo que se refere a Bach. Porque?

 Albert Schweitzer resolveu estudar medicina com 30 anos completos para seguir, depois de se formar, à selva da África, levando aos nativos auxílio físico e espiritual, expiando assim pelo menos uma pequenina parte da culpa que a raça branca tem perante seus irmãos pretos; de todo o mal que lhes causou, seja nas suas colonias, seja nas duas Américas.

 E antes do estudo de medicina qual foi a tarefa desse homem extraordinário? Pois, além do sacerdócio (êle é pastor protestante, como o foi também seu pai) - música e, principalmente música de Bach.

 Cultura de despojamento e o papel da mulher na obra de Schweitzer

 








Em 1963, os admiradores e seguidores de Albert Schweitzer no Brasil
surpreenderam-se com duas relativamente longas e substanciosas matérias publicadas pelo jornal A Folha de São Paulo e que muito contribuiam para a ampla difusão do seu nome e do seu trabalho em Lambarene. Os textos, exclusivos para aquele jornal, foram escritos por Vere Connaught e Richard Boyd, jornalistas britânicos que entrevistaram uma pessoa que estivera em Lambarene e observara as condições do hospital dirigido por Albert Schweitzer, então com 88 anos. Com base nessas informações, escreveram uma reportagem que revelava aspectos desconhecidos da personalidade e das atividades do médico, "por muitos considerado como o maior homem vivo do mundo", como salientou o King Features Syndicate. (Vere Connaught e Richard Boyd, "As grandes auxiliares de Schweitzer - I e II, Folha de São Paulo, 17 e 18 de setembro de 1963)

 O artigo inicia com a afirmação de que A. Schweitzer destacava-se em todo o mundo como símbolo do inabalável espírito humano e como seu porta-voz. Teria tudo abandonado na Europa para "enterrar-se em Lambarene, na África, e lá, literalmente cercado por canibais e gorilas (sic!), travar contra a doença e a feitiçaria uma luta a que dedicou toda a sua vida". Os relatos daqueles que visitavam Lambarene haviam-no transformado em vulto quase que lendário. Várias estórias de difícil comprovação contribuiam para a criação do mito Schweitzer e do seu princípio de Veneração pela Vida. Contava-se que, ao receber um bispo africano, uma formiga começou a andar em seu rosto. O prelado, procurando tirá-la, foi impedido com um grito, pois poderia machucá-la. Nem mesmo mosquitos, perigosos para a transmissão de doenças, não poderiam ser mortos no refeitório de Lambarene, a não ser no momento da picada; deveriam ser apanhados e soltos através das paredes de tela de arame.

 Os jornalistas, porém, dirigiram a atenção não a essas estórias que corriam no Exterior e que criavam o mito Schweitzer, mas sim a aspectos desconhecidos de sua vida pessoal e a de seus colaboradores em Lambarene. A imagem que transmitem de Schweitzer é a de um ancião severo, com face e modos ásperos e enérgicos, que não permitia que algo fosse registrado do que dizia sem expresso consentimento. Salientam sobretudo o papel de mulheres no trabalho de Lambarene:

 "As mulheres parecem ser irresistivelmente atraídas para seu serviço. A maioria das pessoas que o ajudam é constituída de mulheres, pois ele trabalha com apenas alguns médicos do sexo masculino. Todo ano, em peregrinações anuais, mulheres visitam Lambarene para lá sujeitar-se a desconfortos durante alguns dias, semanas ou meses."

 Helene Breslau e Rhena Eckert

 Duas mulheres mereceram particular atenção dos relatores. Uma delas foi Helene Breslau, sua esposa, ajudante dos primeiros anos de instalação do hospital, decantada por Schweitzer pela sua dedicação como enfermeira, anestesista e auxiliar de operação, mas pouco mencionada em escritos posteriores.

 "A partir desse ponto, porém, torna-se cada vez mais silencioso a respeito dela. Menciona-a rapidamente em 1915 e outra vez no ano seguinte, para contar depois como, durante a guerra, ambos foram embarcados para a Europa e internados pelos franceses (tendo nascido na Alsácia, ele era legalmente alemão). Sete anos mais tarde, porém, quando regressou a Lambarene, estava sozinho.

 A sra. Schweitzer estava doente e exausta, na autobiografia, o doutor nada diz capaz de lembrar ao leitor que ela tinha também uma filha pequena para cuidar. Rhena, a única filha do dr. Schweitzer, nasceu em 1919, em 14 de janeiro, data de seu próprio aniversário. O dr. Schweitzer diz apenas que a sua esposa não pôde voltar para a África em sua companhia devido a seu estado de saúde e acrescenta que o consentimento dela à sua partida é algo pelo qual sempre será grato. A partir desse ponto, conserva-se silencioso a respeito dela. Nunca houve uma separação oficial, mas durante os trinta anos seguintes, marido e mulher encontraram-se apenas raramente, às vezes em Lambarene e às vezes na Europa.

 A verdade, diz um observador íntimo, é que o casamento foi um fracasso. Nenhum homem pode mesmo ser elevado às proporções quase divinas que a admiração do mundo deu a Schweitzer, sem tornar difíceis suas relações pessoais, sobretudo com a esposa.“

 Como prova desse difícil temperamento de Schweitzer e de seus problemas de relacionamento humano, o texto menciona a sua atitude para com a própria filha. Rhena, que casara-se jovem com um fabricante de órgãos, Jean Eckert, desejando visitar o pai após 20 anos, dirigiu-se a Lambarene um ano após o falecimento de sua mãe em Zurique (1957). Numa ceia em sua homenagem, A. Schweitzer proferiu um discurso que foi anotado secretamente. Schweitzer teria dito: "Sou um homem velho cuja vida não foi exatamente como eu desejava". Após referir-se a seu trabalho, dirigiu-se à filha, dizendo: "A Luz do Mundo olhou hoje não só para mim, mas tambem para minha filha. Agradeço-lhe por ter vindo celebrar seu aniversario comigo, por sua propria iniciativa. Não conheço muito bem sua biografia e não sou muito bom psicologo, de modo que não posso calcular se sua vida correspondeu a seus desejos." Essa citação é utilizada pelos relatores como prova de uma estranha distância e frieza de Schweitzer, aparentemente incompatível com as suas concepções.

 Ema Hausknecht, Mathilde Kottmann e Ali Silver

 Ao lado da cruz que assinalava a sepultura com as cinzas de Helene Breslau, havia nas proximidades do quarto de Schweitzer uma outra cruz, dedicada a Ema Hausknecht, também alsaciana, falecida em 1956, e que o auxiliou durante 31 anos. Outra enfermeira que colaborava com Albert Schweitzer já há 39 anos  era Mathilde Kottmann, a sua mão direita, também procedente da Alsácia.

 "Seu rosto fino, com olhos belos e cansados, revela a serenidade adquirida através do sofrimento. Seus cabelos são puxados para trás, onde formam um coque. Não usa maquilagem. E, como todas as mulheres de Lambarene, veste uma túnica branca simples, com meias brancas e um capacete contra o sol quando sai. Ao jantar, senta-se ao lado do doutor. Há nela um inabalável ar de autoridade."

 A "mão esquerda" de Schweitzer era uma holandesa, Ali Silver, que ali atuava há 15 anos. "É mulher pequena, gorda e jovial, de cabelos prateados e olhos brilhantes. Fala bem o inglês e serve como intérprete para os visitantes".

 Mottmann e Silver administravam o hospital e o dirigiam na prática com férrea determinação. Trabalhavam ininterruptamente e dormiam em quartos ao lado do aposento de Schweitzer. Elas erguiam "uma muralha" ao redor de Schweitzer e mantinham apenas com o olhar pessoas à distância.

 Havia também um número elevado de mulheres mais jovens que trabalhavam como auxiliares. Jovens que solicitavam ser admitidas para o trabalho idealista eram em maior número do que as vagas existentes.

 Albertina van Beck-Vollenhoven, Trudi Breslau, Clara Urquhart, Marion Mill Preminger

 Os jornalistas começam a descrever a sensação das mulheres que se dirigiam a Lambarene para trabalhar com Schweitzer em texto que não deixa de ter traços discriminatórios para com os africanos:

 "Depois de emocionante viagem pelo ar ou por mar, a mulher que vai trabalhar pela primeira vez para o dr. Schweitzer é levada até Lambarene em uma canoa nativa na qual remam leprosos curados do hospital. No desembarcadouro, é recebida pelo dr. Schweitzer, uma figura austera com um cãozinho ao lado. Talvez fique decepcionada com a miséria e desordem do hospital, mas isso é explicado como necessário para fazer os nativos sentirem-se à vontade e afastá-los dos feiticeiros. Em sua primeira refeição, a recém-chegada encontra-se com todo o pessoal. A atmosfera é semelhante à de um convento, com Mathilde Kottmann e Ali Silver como abadessa e madre superiora.

 Reina a mais rígida disciplina. Logo que um nativo bate com uma barra de ferro em um pedaço suspenso de trilho ferroviário, há uma correria para chegar ao refeitório. Todos precisam estar em seus lugares na hora em que o doutor entra, joga seu capacete sobre um velho piano e se senta sem olhar para a direita ou para a esquerda. Ele domina a mesa, se está de temperamento silencioso, o pessoal sussura. (...)Ao término da refeição da tarde, o doutor toca um hino, lê uma ou duas páginas das Escrituras e retira-se. Mathilde e Ali seguem-no."

 A descrição de um dia de trabalho e das condições de alojamento dos funcionários do hospital é feita de modo expressivo. Os quartos eram pequenas celas, com paredes de madeira ou de tela, mobiliadas com uma cama de ferro, um cabide para roupas coberto com uma cortina, uma mesa com bacia e uma cadeira. A iluminação era feita por lamparinas a óleo, de fraca luminosidade. A sala de operação tinha sido doada pelo Príncipe Rainier do Monaco, possuindo um gerador elétrico. Era a única dependência em que a eletricidade seria permitida.

 As condições de trabalho seriam muito desfavoráveis devido ao calor, à péssima qualidade da água e ao número elevado de pacientes que davam pouca atenção à higiene. Apesar dessas condições de vida e de trabalho que as jovens européias encontravam em Lambarene, algumas delas ficavam mais tempo do que previsto. A fascinação exercida por A. Schweitzer sobre elas resultava segundo os informantes de sua atitude patriarcal, severa mas generosa. Duas dessas auxiliares são mencionadas expressamente: Albertina van Beck-Vollenhoven, holandesa, responsável pelos doentes mentais, que teve de retornar à Europa por doença, e Trudi Breslau, suíça, responsável pela seção dos leprosos.

 "Era mãe, enfermeira, guarda, magistrada, professora e amiga dos internos nessa seção semi-autonoma. Trabalhava o dia inteiro e, à noite, muitas vezes andava pela selva à luz de uma lanterna para ir cuidar de um nativo doente. Seu nome tornou-se uma espécie de lenda entre milhares de pessoas ao redor de Lamberene. Após 7 anos de atividades, casou-se com um médico que visitou o hospital."


sob o título "Herdeira", o artigo menciona Olga Deterding. Possuidora de vasta fortuna, teria abandonado a Europa em 1957 para ir em auxílio de Schweitzer. Em Lambarene, conhecera o Dr. Frank Catchpool, um dos médicos do hospital. Mais tarde, após o retorno desse médico à Inglaterra, encontraram-se novamente em Londres, seguindo ambos para os Estados Unidos. Após retornarem a Lambarene, Olga Deterding foi designada para serviços domésticos, o que teria sido sentido como humilhante; além do mais, o Dr. Catchpool sentiu-se atraído por uma recém-chegada mulher espanhola. Quando de uma viagem de Schweitzer à Europa, ambas foram despedidas por Mathilde Kottmann. Posteriormente, Olga Deterding teria trabalhado em um hospital inglês na seção de doenças tropicais.

 Haveria, para os informantes, outro tipo de mulheres na vida de Schweitzer. Trabalhariam em todo o mundo para a sua obra e para o seu nome, apenas visitando Lambarene esporadicamente. Uma delas teria sido a já falecida C.E. B. Russel, assistente social inglesa que colaborara com Schweitzer nos anos posteriores à Primeira Guerra. à época da entrevista, a mulher mais próxima a Schweitzer era uma sul-africana que vivera em Londres, Clara Urquhart, herdeira de um proprietário de siderurgia. Trabalhando abnegadamente junto a Schweitzer, realizava também viagens aos Estados Unidos e a outros países para angariar fundos e procurar apoios para a campanha de Schweitzer contra a bomba atômica. Havia publicado um livro de fotografias sobre o hospital e sobre A. Schweitzer. A maioria das fotografias tinha sido tirada por uma norte-americana, Erica Anderson. Também havia realizado um filme sobre a vida de Schweitzer, premiado pela Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood. Outra auxiliar de Schweitzer era Marion Mill Preminger, húngaro-americana, primeira esposa do produtor cinematográfico Otto Preminger. Havia escrito uma auto-biografia de título All I Want Is Everything e realizava conferências a favor de Schweitzer nos Estados Unidos. Realizava há anos uma peregrinação anual a Lambarene por ocasião do aniversário de Schweitzer, retornando depois aos Estados Unidos.

 As especulações a respeito da sucessão de A. Schweitzer giravam sobretudo em torno de sua filha e que dele se aproximara desde 1958. Fizera, após a sua visita a Lambarene, um curso de técnico de laboratório em Zurique. Distinguia-se pelo seu altruísmo e por uma forte determinação.

 O jornal publicou fotos de Mathilde Kottmann, Ali Silver, Rhena Eckert, de sua filha Rhena e de uma companheira, Trudi Breslau. Incluiu também fotos de Olga Deterding e Albertina von Beck-Vollenhoven.


Críticas de Albert Schweitzer


Nesses textos publicados pela imprensa pode-se constatar, nas entrelinhas, críticas a atitudes e modos de procedimento de A. Schweitzer na sua vida quotidiana, que surgem como patriarcais e excessivamente austeras ou estranhamente frias. Essas questões podem ter prejudicado a sua imagem junto aos leitores em geral, não foram porém de grande significado para os círculos teuto-brasileiros que cultivavam a sua memória e propagavam as suas concepções. Correspondiam, em geral, a modos de vida e à cultura doméstica que também caracterizavam a vida familiar e social desses círculos.

Um prejuízo à imagem de A. Schweitzer foi, porém, a divulgação de uma carta que dirigira a Walter Ulbricht (18093-1973), Presidente do Conselho de Estado da República Democrática Alemã. Um recorte desse jornal, devidamente arquivado pelos responsáveis da Sociedade Bach de São Paulo, mostra a estranheza que causou esse gesto de Schweitzer, visto como sinal de sua instrumentalização pelo regime da antiga DDR. A República Democrática Alemã enviara um Secretário Geral a Lambarene, e este trouxera uma carta de A. Schweitzer na qual este manifestava ter constatado, na missiva de Ulbricht, que este concordava com aquilo que defendia sobre a paz e simpatizava com a sua idéia da Veneração pela Vida. O jornal comentava:

"Veneração pela Vida? É Veneração pela Vida quando se coloca homens atrás de cercas de arame farpado, quando a êles se apontam canhões de blindados, os obrigam a saltar do terceiro andar, quando se permite que policiais alemães atirem em alemães?

Há Veneração pela Vida sem liberdade? Uma vida sem liberdade é vida?

Nós sabemos que Schweitzer leva a sério a Veneração. Ela é um dos pensamentos básicos de seu sentimento de vida. Surge em todas as suas obras. Nasceu já em 1915, quando um vapor africano passou sem escrúpulos por cima de um grupo de hipopótamos. Respeito também pela vida dos animais.

E o que vale para hipopótamos não deve também valer para os homens nos campos de concentração de Ulbricht?

Não como desculpa, mas talvez para a compreensão devemos constatar que a carta de Schweitzer é datada de 9 de agosto. Ou seja, antes daquele 13 de agosto que assassinou de vez o Respeito pela Vida". (trad.A.A.B.)

 
Observação: o texto aqui publicado oferece apenas um relato suscinto de trabalhos. Não tendo o cunho de estudo ou ensaio, não inclui aparato científico. O seu escopo deve ser considerado no contexto geral deste número da revista. Pede-se ao leitor que se oriente segundo o índice desta edição e o índice geral da revista (acesso acima). Pede-se ao leitor, sobretudo, que se oriente segundo os objetivos e a estrutura da Organização Brasil-Europa, visitando a página principal, de onde obterá uma visão geral e de onde poderá alcançar os demais ítens relativos à Academia Brasil-Europa de Ciência da Cultura e da Ciência (culturologia e sociologia da ciência), a seus institutos integrados de pesquisa e aos Centros de Estudos Culturais Brasil-Europa:
http://www.brasil-europa.eu

1.                      
Brasil-Europa é organização exclusivamente de natureza científica, dedicada a estudos teóricos de processos interculturais e a estudos culturais nas relações internacionais. Não tem, expressamente, finalidades jornalísticas ou literárias e não considera nos seus textos dados divulgados por agências de notícias e emissoras. É, na sua orientação culturológica, a primeira do gênero, pioneira no seu escopo, independente, não-governamental, sem elos políticos ou religiosos, não vinculada a nenhuma fundação de partido político europeu ou brasileiro e originada de iniciativa brasileira. Foi registrada em 1968, sendo continuamente atualizada. A A.B.E. insere-se em antiga tradição que remonta ao século XIX.

2.                  Não deve ser confundida com outras instituições, publicações, iniciativas de fundações, academias de letras ou outras páginas da Internet que passaram a utilizar-se de designações similares.

________________________________________________________________

Venha nos fazer uma visita.
Todos dizem que uma andorinha sozinha não faz verão, porém, se prestarmos atenção na andorinha que está no chão, vamos ver que quando ela levanta vôo, todas ao seu redor a seguem.
Pensem nisso
.

Casa Humanitária Dr. Albert Schweitzer

Rua dos Macacos S/N-Unamar Cabo Frio-RJ

Tels.: (22) 2774-
5745  - (22) 92616767

site:
www.casahumanitaria.com

e-mail.
casahumanitaria@casahumanitaria.com


 






























 

  Site Map